Passado toda a movimentação tradicional durante a madrugada nos boxes da Ceasa, é a vez do criador de porcos José Boratin, 53 anos, fazer a sua coleta. As sobras de verduras, frutas e legumes espalhadas pelo chão e nas caçambas de lixo da Ceasa vão matar a fome dos 100 porcos, que bem nutridos vão garantir o sustento dele, da mulher, dos filhos e empregados. A velha caminhonete Rural 1975 sai abarrotada com as sobras da Ceasa. São cerca de 400 quilos de frutas, verduras e legumes.
À noite a xepa continua. Quase todos os dias, seo Zé, um tipo meio ermitão, com uma barba escura, chapéu de feltro e um olhar desconfiado, percorre as ruas do centro de Londrina em busca das sobras dos restaurantes. São pelo menos 10 estabelecimentos, cujas lixeiras são os alvos principais das investidas do produtor. Neste itinerário ele consegue arrecadar até 60 quilos de sobras de comidas. ''Tudo vai para a lavegem dos porcos, mas sempre ganho umas marmitas prontinhas dos restaurantes para levar para a família. A gente tem que aproveitar'', diz o produtor, enquanto remexe um monte de folhas, tomates e cenouras amassados.
A garimpagem rende para a família de seo Zé uma economia de R$ 300,00 na alimentação dos porcos. E é o porco a sua fonte de sustento e a garantia da comida na mesa. São oito meses até que o porco, bem alimentado e pesando 40 quilos, possa ser vendido a R$ 50,00 ou R$ 60,00.

mockup