Restaurar o manejo das pragas
É preciso restaurar a competência técnica do passado que sustentava o programa Manejo Integrado de Pragas (MIP) nas lavouras de soja, um procedimento que reduziu substancialmente a aplicação de inseticidas. O combate biológico, com o emprego do baculovírus, controlava 90% das infestações da lagarta nas lavouras do Paraná. O que ocorre hoje conforme mostrou reportagem da Folha Rural de sábado sugere a existência da submissão à pressão dos fornecedores de agrotóxicos, a divulgação equivocada de pragas resistentes àquele tipo de controle e também o plantio direto este, apesar de suas muitas vantagens. Como se sabe, a lagarta da soja exige medidas controladoras desde a fase vegetativa até o final da floração da planta. Aplica-se o controle por meio do baculovírus, que contém como ingrediente principal um vírus presente na própria lagarta. As instruções sobre como proceder estão disponibilizadas pela Embrapa Soja. Conforme declara o agrônomo Lauro Morales, da Emater, o produtor é muito inseguro e precisa de orientação técnica contínua para voltar a adotar o manejo integrado. Outro fator é a ausência de um programa específico para esse fim e a diminuição da estrutura da Emater a empresa de extensionismo agrícola da Secretaria da Agricultura. Alta tecnologia, hoje, é sinônimo de acompanhamento profissional no campo e não o uso indiscriminado de defensivos, afirma o técnico da Cooperativa Integrada, em Londrina, Irineu Baptista. Mas há regiões onde, por serem grandes revendedoras de insumos, as cooperativas acabam influenciando os associados na compra antecipada de defensivos, por via do pré-pedido do pacote com todos os insumos, sob o argumento de aproveitar promoções dos fornecedores e a facilitação dos financiamentos. Ocorre que, por esse processo, às vezes certos produtos nem são utilizados. Será necessário que o produtor abandone as aplicações calendarizadas em tempos regulares determinados ou seja, que não faça aplicações preventivas e somente diante da presença da praga. Com todos os avanços da tecnologia, as informações ainda ''chegam desviadas'' ao lavrador, e assim os manejos acabam ocorrendo de forma incorreta. Mas também o produtor, no mais dos casos, é desatento ao seu próprio negócio. O manejo integrado das pragas precisa voltar, porque o uso indiscriminado de agrotóxicos, além de poluidor e gerador de doenças graves aos consumidores desses produtos, tem favorecido o aparecimento de novas pragas, cada vez mais resistentes.





