Restabelecer a paz no campo
A Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo está reunida desde ontem em Curitiba com o objetivo de levantar propostas que ajudem a trazer a paz para as áreas ocupadas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) na Fazenda Rio das Cobras, que pertence à Araupel. Na última quinta-feira, dois sem-terra morreram baleados durante um suposto confronto entre os trabalhadores rurais e policiais militares. Outras sete pessoas ficaram feridas, sendo seis sem-terra e um PM. O problema aconteceu em Quedas do Iguaçu, na região centro-oeste. O enfrentamento teria começado após a polícia ser chamada para auxiliar a combater um incêndio na área de reflorestamento da empresa.
Enquanto a Secretaria de Segurança Pública do Estado afirma que os PMs foram recebidos por tiros pelos agricultores, o MST diz que os sem-terra foram recebidos com violência quando chegaram ao local para apagar as chamas.
Quedas do Iguaçu vive hoje um clima de tensão e desde a última sexta-feira, policiais civis e militares reforçam o patrulhamento na cidade. A Fazenda Rio das Cobras é ocupada há mais de um ano por cerca de duas mil famílias ligadas ao MST. Em ação julgada no ano passado na 1ª Vara Federal de Cascavel, foi declarado nulo o título que dava propriedade da fazenda à Araupel. Com 23 mil hectares, ela está localizada entre os municípios de Quedas do Iguaçu e Rio Bonito do Iguaçu. A posse da terra foi contestada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em ação judicial movida em 2004. A empresa recorreu e o caso está agora no Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª região.
Os conflitos pela posse de terra no Brasil são muito preocupantes. Levantamento feito pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) revelou que no ano passado o número de assassinatos decorrentes desses conflitos foi o maior dos últimos 12 anos no País, com 49 mortes. A maioria, registrada no Norte. Infelizmente, a decisão pela posse da terra que hoje pertence à Araupel ainda deve se prolongar. A ação está hoje no TRF4 e certamente chegará ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Por conta disso, deve ser prioridade para o governo estadual e para o próprio Incra buscar uma solução de convivência pacífica entre MST e Araupel.





