Resposta do Congresso
Após a "onda de protestos" em praticamente todo o País e as ações sugeridas pela presidente Dilma Rousseff (PT), chegou a vez do Congresso Nacional dar a sua resposta à "voz das ruas". Depois de um dia tumultuado, quando foi cogitado postergar a votação da PEC 37 (que pretende limitar o poder de investigação do Ministério Público), o assunto entrou na pauta para votação. É um dos temas de insatisfação da sociedade. Já a reforma política, reivindicação antiga da população, foi empurrada para o segundo semestre.
Ainda que a proposta de Dilma, de convocar um plebiscito para discutir a reforma política, pareça uma tentativa de interferência no Poder Legislativo, o tema tramita há vários anos na Casa. Não há vontade para discutir o assunto porque modificará o atual sistema. Se não há interesse, quando os "ânimos das ruas" se aquietarem é provável que a reforma também seja esquecida como vem sendo feito há anos. Será que a população aceitaria isso novamente? A maior participação do jogo político também está em cena. A sociedade quer ter sua voz ouvida, respeitada e considerada por seus "representantes".
A "agenda positiva" proposta pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), atende parte das reivindicações, mas ainda é preciso mais. São necessárias ações mais concretas e que proporcionem benefícios mais tangíveis. Incluir na Constituição que o transporte também é um direito básico do cidadão, assim como educação e saúde, não basta. É preciso garantir um serviço de qualidade e que os recursos destinados sejam todos usados para isso, sem propinas, sem superfaturamentos e todas essas velhas práticas.
É o mesmo caso dos royalties do petróleo. Criar leis que destinem 100% dos recursos para a educação não garante uma educação de qualidade. É preciso garantir, primeiro, a destinação do dinheiro; depois que as escolas tenham a estrutura necessária para atender bem alunos; que os professores sejam capacitados e que garantam o aprendizado de crianças, jovens e adultos.
O Congresso Nacional também deve atender as reivindicações das ruas. É preciso mais respeito com a população.





