''Ninguém presta!''. ''São todos ladrões''. Estas frases são cada vez mais comuns em época de eleição e descrédito total da população na classe política. Mas o eleitor também tem sua parcela de culpa neste processo.
A opinião é do professor Paulo Roberto de Oliveira, da Escola Superior de Guerra do Rio de Janeiro, que esteve em Londrina participando do Ciclo de Estudos promovido pela representação regional da Adesg na Faculdade Arthur Thomas.
Em entrevista à FOLHA, Oliveira afirma que parte da sociedade ainda é passiva em relação à corrupção, mas destaca a postura cada vez mais forme dos órgãos policiais e judiciais na tentativa de acabar com a impunidade. ''O importante é termos consciência dos males que a corrupção pode trazer pode trazer para o indivíduo e para a sociedade''.
Por que há um descrédito tão grande em relação à classe política brasileira?
Devido aos fatos que ocorrem diariamente no exercício da atividade política eque muitas vezes contrariam o anseio da sociedade. O eleitor vê aquele político como um líder, seu representante junto ao Congresso Nacional ou à Câmara Municipal, uma pessoa que está ali justamente para o exercício da atividade política, para atender aos anseios da população. Logicamente há um descrédito natural à medida que isto não ocorre na proporção que o eleitor gostaria que acontecesse, e outros fatos vem depor em relação à esta postura desejada.
Mas o eleitor tem sua parcela de responsabilidade por esta situação?
É o eleitor quem escolhe seu representante através do voto. É o cidadão quem vai determinar quem estará exercendo essa atividade em prol da sociedade. Na medida em que esta escolha não é bem feita, ou seja, a qualidade dos eleitos não corresponde às necessidades, o eleitor tem uma parcela de culpa nos resultados.
A idéia de que os políticos são um espelho da sociedade então é correta?
Sem dúvida alguma. Se eles ali estão é porque a sociedade assim o quis. E é lógico que eles vão exercer essa atividade no mesmo nível das ansiedades daqueles que os colocaram no cargo.
Como é possível mudar este quadro?
A educação é a base de tudo. Só por intermédio da educação, em todos os sentidos, é que o cidadão terá condições de discernir efetivamente entre o que é certo e o que é errado e como agir no dia-a-dia de sua vida privada e de sua vida pública. Sem educação, a pessoa não tem condições de decidir qual o melhor caminho a seguir. E quando falamos em educação, não estamos somente restringindo ao aspecto intelectual. Nós estamos falando da educação como um todo: a educação religiosa, a educação ética-moral, a educação intelectual, e tudo isso, com a educação familiar. É na família que se começa a mudar o indivíduo. Então aí vem a responsabilidade principalmente dos pais, no sentido de orientar seus filhos pelo caminho correto da vida, da cidadania, do patriotismo.
O senhor considera a sociedade passiva em relação à corrupção?
Sem dúvidas, e a reversão dessa situação só ocorrerá à medida que exista uma conscientização e ao mesmo tempo um clamor da sociedade no sentido de não aceitar como fato natural o exercício de atividades por intermédio de ações ilicitas. Os orgãos policiais e judiciais têm tomado posições bastante sérias no tocante a esta situação justamente para evitar que a impunidade continue ocorrendo. O importante é termos consciência dos males que a corrupção pode trazer pode trazer para o indivíduo e para a sociedade.
Mas como é possível mudar esta realidade se quem poderia escolher melhor seus candidatos prefere não participar do processo?
O voto é obrigatório. E sendo obrigatorio, temos que ir para a urna escolher nosso representante. Não podemos nos omitir com relação à nossa responsabilidade. Nós participamos do processo indiretamente. Se não escolhemos aqueles que vão ser os candidatos, nós escolhemos, sem dúvida alguma, aqueles que serão eleitos, até mesmo por omissão. Quando nós omitimos de votar ou anular o voto, nós estamos contribuindo, sem dúvida alguma, para esse processo. Então, não há como você deixar de participar. O que temos que ter é justamente a consciência, inclusive, de cobrar daqueles em que nós votamos que as suas promessas efetivamente sejam realizadas.

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