Inúmeros colegas defensores do Estado Democrático de Direito poderiam responder ao ofensivo texto publicado neste jornal pelo breve ministro da educação do governo de extrema-direita, período 2019-2022, mas me reservo a esta tarefa, pelo compromisso com a verdade que tenho com meus filhos. Ofensivo pelo tom farsesco de quem escreve uma fábula que atenta contra a honestidade intelectual. Em sua argumentação, tenta fazer o leitor entender que a eleição do atual presidente não foi legítima e sua posse articulada por um conluio entre dois dos poderes da nação, o executivo e o judiciário. Esconde os períodos ditatoriais, enaltecidos pelos seus colegas de governo, e inverte a razão ao taxar o atual governo de absolutista. Um governo eleito pelo voto popular que poderia não ter assumido se o plano de assassinato e golpe, colocado em execução pelos derrotados, tivesse prosperado.

O ex-ministro fala em perseguição às “pessoas mais variadas”, deputados cassados e pessoas do povo quando na realidade se refere a bandidos que tramaram um golpe de Estado, destruíram o patrimônio público, levaram pessoas a morte e planejaram o assassinato do presidente, do vice-presidente e de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Não são jornalistas, donas de casa, idosos etc. São criminosos e golpistas e compartilham celas com outros criminosos. O mesmo constrangimento ao ver seus comparsas na cadeia, o ex-ministro não demonstra ao ouvir da boca do seu ex-presidente homenagens ao torturador coronel do exército Brilhante Ustra e a centenas de torturados e mortos pela ditadura militar. Não derruba uma lágrima pelas famílias que tiveram seus membros desaparecidos, como a do ex-deputado Rubens Paiva. Sua pretensa dor é ofensiva, frente aos horrores causados pelos comandados pelo General Augusto Heleno e companhia.

Não existe “onda de perseguição aos dissidentes” e “julgamento sumário”; existe investigação e o devido processo legal de crimes fartamente documentados, inclusive pelos próprios criminosos. Tergiversar, ou seja, virar de costas para os fatos, é justamente o que o senhor Vélez Rodríguez faz no texto publicado na seção Espaço Aberto, deste respeitado jornal, em 23 de novembro de 2024. Não existe liberdade para quem realiza crime, o nome disto é impunidade. E se hoje estamos vivendo esta triste realidade é porque não punimos os responsáveis pelos crimes da ditadura, os anistiamos. Estamos pagando muito caro por isso. Permitimos que esses lobos voltassem ao poder travestidos de carneirinhos. E quando estiveram lá, pilharam o Estado, transferindo dinheiro público para sua gangue, através de isenções fiscais e supersalários ao mesmo tempo que jogaram milhões de brasileiros de volta à extrema pobreza; negaram vacina ao povo que sucumbia durante a pandemia; entregaram o país para o capital externo, permitindo a este a exploração brutal do nosso subsolo e de nossas florestas; foram acusados de negociar favores com barras de ouro e de se apropriar de joias pertencentes ao Estado; armaram a população para uma guerra civil, liberando armas para todos; fizeram da nossa diplomacia chacota internacional; e planejaram e tramaram um golpe de Estado.

Ainda cremos que a justiça tarda, mas não falha e que os responsáveis por esses crimes e pela tentativa de ludibriar o povo, através da mentira e de uma nova anistia a criminosos, sejam investigados e punidos, conforme prevê a lei. SEM ANISTIA.

Ricardo Dias Silva - Professor Associado do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UEL, membro do Programa Associado de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo UEM-UEL - PPU, coordenador do Laboratório de Pesquisa em Habitação e Assentamentos Humanos - LAPHA

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