Resposta ao ex-ministro Ricardo Vélez Rodríguez
O ex-ministro fala em perseguição às “pessoas mais variadas” quando na realidade se refere a bandidos que tramaram um golpe de Estado
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de novembro de 2024
O ex-ministro fala em perseguição às “pessoas mais variadas” quando na realidade se refere a bandidos que tramaram um golpe de Estado
Ricardo Dias Silva 
Inúmeros colegas defensores do Estado Democrático de Direito poderiam responder ao ofensivo texto publicado neste jornal pelo breve ministro da educação do governo de extrema-direita, período 2019-2022, mas me reservo a esta tarefa, pelo compromisso com a verdade que tenho com meus filhos. Ofensivo pelo tom farsesco de quem escreve uma fábula que atenta contra a honestidade intelectual. Em sua argumentação, tenta fazer o leitor entender que a eleição do atual presidente não foi legítima e sua posse articulada por um conluio entre dois dos poderes da nação, o executivo e o judiciário. Esconde os períodos ditatoriais, enaltecidos pelos seus colegas de governo, e inverte a razão ao taxar o atual governo de absolutista. Um governo eleito pelo voto popular que poderia não ter assumido se o plano de assassinato e golpe, colocado em execução pelos derrotados, tivesse prosperado.
O ex-ministro fala em perseguição às “pessoas mais variadas”, deputados cassados e pessoas do povo quando na realidade se refere a bandidos que tramaram um golpe de Estado, destruíram o patrimônio público, levaram pessoas a morte e planejaram o assassinato do presidente, do vice-presidente e de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Não são jornalistas, donas de casa, idosos etc. São criminosos e golpistas e compartilham celas com outros criminosos. O mesmo constrangimento ao ver seus comparsas na cadeia, o ex-ministro não demonstra ao ouvir da boca do seu ex-presidente homenagens ao torturador coronel do exército Brilhante Ustra e a centenas de torturados e mortos pela ditadura militar. Não derruba uma lágrima pelas famílias que tiveram seus membros desaparecidos, como a do ex-deputado Rubens Paiva. Sua pretensa dor é ofensiva, frente aos horrores causados pelos comandados pelo General Augusto Heleno e companhia.
Não existe “onda de perseguição aos dissidentes” e “julgamento sumário”; existe investigação e o devido processo legal de crimes fartamente documentados, inclusive pelos próprios criminosos. Tergiversar, ou seja, virar de costas para os fatos, é justamente o que o senhor Vélez Rodríguez faz no texto publicado na seção Espaço Aberto, deste respeitado jornal, em 23 de novembro de 2024. Não existe liberdade para quem realiza crime, o nome disto é impunidade. E se hoje estamos vivendo esta triste realidade é porque não punimos os responsáveis pelos crimes da ditadura, os anistiamos. Estamos pagando muito caro por isso. Permitimos que esses lobos voltassem ao poder travestidos de carneirinhos. E quando estiveram lá, pilharam o Estado, transferindo dinheiro público para sua gangue, através de isenções fiscais e supersalários ao mesmo tempo que jogaram milhões de brasileiros de volta à extrema pobreza; negaram vacina ao povo que sucumbia durante a pandemia; entregaram o país para o capital externo, permitindo a este a exploração brutal do nosso subsolo e de nossas florestas; foram acusados de negociar favores com barras de ouro e de se apropriar de joias pertencentes ao Estado; armaram a população para uma guerra civil, liberando armas para todos; fizeram da nossa diplomacia chacota internacional; e planejaram e tramaram um golpe de Estado.
Ainda cremos que a justiça tarda, mas não falha e que os responsáveis por esses crimes e pela tentativa de ludibriar o povo, através da mentira e de uma nova anistia a criminosos, sejam investigados e punidos, conforme prevê a lei. SEM ANISTIA.
Ricardo Dias Silva - Professor Associado do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UEL, membro do Programa Associado de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo UEM-UEL - PPU, coordenador do Laboratório de Pesquisa em Habitação e Assentamentos Humanos - LAPHA
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