O desgaste ainda hoje observado no relacionamento entre as forças públicas de segurança e a comunidade é uma consequência da época da ditadura, quando a polícia era usada como um apêndice do regime militar e ocorriam excessos. A análise é do major Adalberto Pereira da Silva, que acrescenta que o papel da população na luta contra a violência deve ser ativo, uma vez que a segurança pública, embora seja dever do Estado, é direito e responsabilidade de todos.
''É por isso que todas as pessoas ou entidades organizadas devem se unir e procurar soluções reais que melhorem a segurança de nossa cidade, deixando de lado opiniões pessoais, desprovidas de qualquer fundamentação, que não trazem qualquer melhoria para a segurança pública'', afirmou o major, que procurou a FOLHA DE LONDRINA para rebater as opiniões do coronel da Força Aérea Brasileira (FAB) Carmelo Zapalá Giufridas, publicadas em 13 de maio, acerca do trabalho das polícias. Entre outras críticas, ele apontou como falhas do trabalho policial a demora no atendimento de ocorrências, o deslocamento de homens para cuidar da segurança de autoridades e a falta de um treinamento constante para os integrantes das corporações.
Em entrevista recente à FOLHA, o coronel Carmelo Giufridas afirmou que existe um desgaste na relação entre a polícia e a comunidade. O senhor concorda?
A comunidade está interagindo cada vez mais com a polícia. A nova filosofia de polícia comunitária, a polícia cidadã, resulta uma integração maior entre polícia e cidadão. Não é por acaso que o número de emergência da Polícia Militar recebe diariamente em torno de 2 mil ligações. Além de ligações para o disque-denúncia.
E qual sua posição em relação aos supostos atrasos dos policiais no atendimento de ocorrências?
Quanto aos eventuais atrasos, eles decorrem da grande procura da população pelo serviço policial, desde casos simples até situações de extrema urgência. A polícia dá prioridade aos casos de delito de maior gravidade.
Há de fato um contingente excessivo fazendo a a segurança de autoridades?
É absurdo afirmar isso. Mesmo os juízes que aplicam a lei em casos concretos, estando sujeitos a represálias, não têm qualquer proteção policial especial. O mesmo se diga do prefeito e dos vereadores. Apenas o governador possui um efetivo, que é reduzidíssimo, e que realiza sua segurança, durante eventos. Isso não deveria ser novidade para o entrevistado, porque sendo oriundo das Forças Armadas deve saber que a segurança do chefe do Poder Executivo Estadual é atribuição das forças militares, assim como a segurança do Presidente da República é feita pelas Forças Armadas.
Por que as autoridades policiais não frequentam as reuniões do Conselho de Segurança (Conseg)?
Em Londrina, as autoridades policiais sequer conhecem todos os membros do Conseg e não sabem quando se reúnem, porque nunca foram convidadas. Além disso o próprio Conseg não consegue definir o que quer, porque sempre reinvindicou o aumento do efetivo policial. E o entrevistado diz que esse aumento apenas geraria despesas e não segurança.
O senhor considera eficaz a formação para ingresso na polícia?
Um soldado da Polícia Militar é formado em um período que pode variar entre sete e nove meses. Depois passa por uma formação continuada de vários cursos de especialização, como polícia comunitária, direitos humanos, controle de distúrbios, polícia judiciária etc. Além de outros cursos para subir de posto. O policial está em constante treinamento.
Qual o papel da polícia na sociedade?
Ao policial cabe o papel de fiscalizar o cumprimento da lei. É necessário entender a competência de cada órgão. O delinquente, o menor infrator, o bêbado e o drogado, somados a outras classes de excluídos, que acabam sendo presos pela polícia, são problemas sociais. Merecem ser tratados por órgãos especializados. Isso não é o papel da polícia. O policial deve ser treinado para fazer a lei ser cumprida. Observando o uso racional da força, não cometendo abusos. Eventuais desvios na conduta dos policiais são apurados pelo Poder Judiciário.
Quanto ao condicionamento físico dos policiais, o senhor acredita que há membros das corporações que não estão devidamente preparados?
Na Polícia Militar, diferente dos recrutas da Forças Armadas, o policial fica uma carreira inteira e é normal que aos 50 anos ou mais não tenha mais o mesmo corpo que tinha aos 20 ou 30 anos. O aprimoramento intelectual e a experiência policial, em contrapartida, auxiliam na resolução de problemas.
Outra situação grave apontada por Giufridas na entrevista foi sobre a suposta coleta de propina por parte de policiais em pontos de venda de drogas. O senhor acredita que isso ocorre em Londrina?
A Polícia Militar recruta seus policiais dentro da própria comunidade. Dizer que os oficiais militares passam nos pontos de droga para pegar sua parte é uma ofensa à corporação, mas principalmente à comunidade e ao cidadão londrinense. Se tal fato foi presenciado pelo entrevistado, ele deveria comunicar às autoridades. A omissão nesse caso não coaduna com a sua formação militar.



Eventuais atrasos decorrem da grande procura da população pelo serviço policial


Excluídos que acabam sendo presos pela polícia são problemas sociais

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