Responsabilidades divididas
Abre-se a cortina e eis o espetáculo que se apresenta. A situação do Brasil é gravíssima, segundo expressão utilizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Evidências sobre o real estado da economia nacional já eram proporcionadas por alguns ministros. Mas nunca antes de forma tão clara quanto agora, a ponto de se prever medidas duras e até amargas para manter sob controle a economia e as finanças do País. Claro que o tom foi recurso também para justificar o corte de R$ 14 bilhões no Orçamento da União e o aumento da taxa de juros, cujos efeitos do primeiro, que não deveria recair sobre programas sociais importantes caso do Fome Zero , ricochetearam em todas as direções.
Eis, portanto, a primeira grande oportunidade desta gestão pública federal mostrar à população brasileira que as eleições, em outubro do ano passado, resultaram no que de melhor havia para o País. A busca de soluções para os problemas nacionais é uma necessidade e disto ninguém tem dúvida. E se forem precisos medidas duras e até amargas, como disse o presidente Lula, que estas sejam tomadas atingindo igualmente todos os setores da sociedade. Muitos são os exemplos, de passado recente, de medidas que privilegiaram alguns, em detrimento da maioria. Ou seja, boa parte da população pagou o ônus da crise, enquanto uns poucos tiraram lucro da situação e jamais foram punidos por isso.
Quanto à maioria não foram somente nos últimos oito anos, mas desde muito antes se contentou com a ponta da faca e financiou o Estado em várias ocasiões. Com uma elevada carga tributária e com medidas que surgiram sempre da noite para o dia, tendo como exemplo o compulsório sobre a gasolina e a CPMF, o conhecido imposto do cheque. É a maioria também que enfrenta filas e burocracia para ter o que é seu devolvido. A diferença do FGTS, resultado do expurgo nas contas feito na gestão de Fernando Collor, é um exemplo atualíssimo. Devo, não nego. Pago quando puder. É esta a resposta dada à população pelo Estado.
Por isso, a análise da crise na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, este que sempre foi oposição aos anteriores, configura-se como oportunidade para que medidas duras e até amargas sejam distribuídas de forma justa. Considerando-se o regime democrático, diz-se que todos são responsáveis pela situação, pois elegeram os que deixaram o País nesta situação. Embora, na prática, não seja bem assim, deve ser levado em conta que o cidadão já está contribuindo com sua cota, pagando altos impostos e gastando cada vez mais para poder viver.

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