Responsabilidade social empresarial
As empresas vêm se consolidando como importantes agentes de desenvolvimento econômico e de avanço tecnológico, passando a ter cada vez mais influência na vida da sociedade. O impacto que uma empresa exerce pode ser percebido não apenas quando ela abre uma nova planta industrial, modificando o espaço urbano e o meio ambiente. A publicidade de seus produtos e serviços influenciam as pessoas, porque são condutores de valores e padrões de consumo.
Cada vez mais, emerge uma consciência coletiva de que as empresas podem e devem assumir um papel mais amplo, transcendendo ao de sua vocação primeira de geradora de riqueza, por acreditar que a influência das empresas na sociedade não pode simplesmente ser canalizada para a obtenção de lucros, desconsiderando o interesse de todos os demais públicos com os quais interagem. Cresce a interpretação de que as empresas têm um papel mais amplo a cumprir sendo co-responsáveis no desenvolvimento da sociedade. E esta nova visão social faz com que questões anteriormente encaradas como responsabilidade única do Estado, comecem também a ser vistas como parte do papel das empresas.
Assim, surge a idéia de responsabilidade social; compromisso contínuo nos negócios pelo comportamento ético, contribuição ao desenvolvimento econômico e melhoria da qualidade de vida dos empregados, de suas famílias e da comunidade. Ainda que tenha surgido na década de 50, sua utilização enquanto novo paradigma vem sendo efetivamente adotado da década de 90 em diante. Hoje vista como uma nova forma de pensar as estratégias e as políticas de gestão das empresas, a responsabilidade social é a colaboração corporativa efetiva para a construção de uma sociedade mais justa e ambientalmente sustentável através de uma nova filosofia de gestão das empresas.
Nesta perspectiva, a responsabilidade social das empresas ultrapassa a geração de empregos, o pagamento de impostos e a implementação de ações filantrópicas isoladas, como as contribuições sociais essenciais. Seu diferencial não se restringe ao volume de recursos envolvidos ou à dimensão dos serviços prestados, mas, sobretudo, no grau de envolvimento e de compromisso da empresa com aqueles que são atendidos. O que vem sendo cada vez mais apreciado pelos brasileiros devido aos sérios problemas sociais do Brasil, muitas vezes agravados pelas atividades das empresas e pelo enxugamento, ineficiência, e corrupção nas políticas estatais.
Esta nova postura do empresariado mostra que já foi o tempo em que boa empresa era aquela que tinha um bom produto ou serviço. Para ser, por exemplo, um bom fabricante de geladeiras, bastava produzir uma boa geladeira. Nada mais. Hoje, para preservar sua imagem e garantir um lugar nas listas de compras, a empresa necessita ir além. Várias pesquisas, inclusive brasileiras, indicam que consumidores e a comunidade dão mais importância a organizações que tem uma ação mais ampla do que àquela que advém de uma postura essencialmente comercial, financeira e trabalhista. Aprofundou-se a consciência de que a empresa tem compromissos não apenas econômicos, mas também social e ambiental, e que o desenvolvimento sustentável é fator decisivo para a sobrevivência das organizações.
Na visão das empresas, exclusivamente direcionada para a performance financeira, o exercício da responsabilidade social pode ser entendido, à primeira vista, como um custo adicional para as empresas, seus sócios e acionistas, pois são recursos que de outra maneira estariam sendo reinvestidos ou distribuídos sob forma de lucros e dividendos.
Todavia, as empresas de vanguarda já indicaram que há
ganhos tangíveis para as organizações, sob a forma de fatores que agregam valor, reduzem custos e trazem aumento de competitividade, tais como melhoria da imagem institucional, criação de um ambiente interno e externo favorável, incremento na demanda por produtos e serviços, valorização das marcas, ganhos de participação de mercados e diminuição de instabilidade institucional, dentre outros.
Já é consenso a tese de que as empresas que quiserem crescer, serem lucrativas e terem sucesso a longo prazo precisam incorporar em suas práticas cotidianas a qualidade ética nas relações com seus diversos públicos.
Contudo, a eficácia social destas ações para as comunidades locais é variada, e em boa parte dos casos, ainda desconhecida. Resultados satisfatórios nesta esfera dependem de bons dirigentes, adesão do sistema político e da sociedade civil e centros de estudos, de monitoramento e de desenvolvimento metodológico.
Em Londrina e região há indícios de que tais condições podem ser bastante favoráveis num futuro próximo, sendo, porém necessário vários esforços combinados entre empresas, sociedade civil, consumidores, governos e universidades. Em outra oportunidade apresentaremos como estes esforços já vêm acontecendo e propostas para a consolidação de uma cidadania empresarial em nossa região.
- LILIAM ALIGLERI e BENILSON BORINELLI são intregrantres do Grupo de Estudos e Pesquisa em Responsabilidade Empresarial e Sociedade da UEL





