Responsabilidade Social da Odontologia
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de abril de 2003
Carlos Roberto Squillaci 
Considero a Odontologia brasileira tecnicamente com a qualidade da de primeiro mundo mas, infelizmente praticada num país de poucos recursos para financiá-la. Nada contra o ensino da tecnologia de ponta em Odontologia, o que acho é que isso só frustra nossos cirurgiões-dentistas, porque lutam para conquistar apenas 1% da população brasileira que tem condições de pagar tratamentos odontológicos particulares, porque segundo o IBGE ganham acima de R$ 7.500,00.
A Odontologia por ser uma necessidade básica da população deveria atender à grande maioria e não a uma minoria da população. Por isso entendo que a regulamentação dos Planos de Saúde no País nos mostra claramente um marco entre a prática da Odontologia do passado e a Odontologia do futuro, aquela que atenderá os anseios da população como um todo.
E é evidente que nesta nova relação, nesta nova forma de atuação, nós, como profissionais de Odontologia não devemos ser o elo mais fraco da corrente, mas não adianta querermos ser também o mais forte, pois isto acaba com a nossa credibilidade. O ideal é o equilíbrio. Forte será aquele que representar os interesses da sociedade, do mercado e da população brasileira.
O que nossas lideranças, nossos professores e faculdades de Odontologia devem refletir é que o País mudou, basta analisar o resultado das últimas eleições presidenciais. Urge que as cabeças pensantes da Odontologia ajam rapidamente, apresentando contribuições e propostas no sentido de apoiar ou incrementar toda e qualquer iniciativa que justifique mercado de trabalho para o cirurgião-dentista e possibilidade de acesso da população brasileira a tratamentos odontológicos de qualidade.
Acho que por uma questão de visão estratégica devemos admitir que, hoje, o que sabemos de ontem não servirá para o amanhã. O importante e fundamental é definirmos hoje o futuro da Odontologia, com humildade e sem procurarmos ser os donos da verdade. Acredito que nossas lideranças devem reunir-se imediatamente, deixando em casa suas vaidades e, no interesse da Odontologia brasileira, incumbir-se e comprometer-se com as seguintes tarefas:
Pensar o Brasil do futuro, as necessidades e possibilidades da população; como devemos preparar nas faculdades os nossos futuros cirurgiões-dentistas?; que perfil devem ter e que conhecimentos devem dominar e o que por certo vão precisar nos próximos 10 a 15 anos?; em que avanços tecnológicos temos interesse, ou melhor em que a população tenha interesse, que se consolidem nesse período (10 a 15 anos)?; qual o perfil do cirurgião-dentista a ser definido, capaz de atender a essas exigências do mercado em termos de produtividade e de competitividade?
Devemos nos conscientizar que não é mais possível repousarmos sobre as conquistas do passado, mas de tentarmos desenhar o futuro de nossa profissão condizente com a situação do País. Digo isso porque antes de mais nada, como profissionais de saúde, devemos ter compromisso com a sociedade, com o nosso País. Só isso nos dará credibilidade, dignidade, e reconhecimento.
CARLOS ROBERTO SQUILLACI é presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Odontologia de Grupo (Sinog)


