A mais importante matéria a que a Câmara de Vereadores de Londrina terá de se dedicar, logo no início da legislatura, é a que trata do novo Plano Diretor do município e que implica também na criação de leis específicas. Não é um tema simples, porque trata das normas reguladoras de obras, do código de posturas, do sistema viário, do uso do solo, do perímetro urbano, do ambiente e do meio cultural. Trata-se de um redesenho da estrutura da cidade e de como ordená-la para o futuro imediato e para o mais longínquo.
Imprevisões e negligências do passado até hoje geram problemas, que vêm sendo corrigidos na medida do possível, ou são irremediáveis. Por isso, não há motivo para exagerada pressa. Um dos pontos será examinar as tendências de expansão urbana da cidade, de forma a contemplar as zonas mais propensas às habitações populares mas sem ignorar que será necessário favorecer também as construções de melhor padrão, para isso não estrangulando as regiões com vocação para elas.
Se terá de delinear as novas áreas para cada segmento, segundo a tendência natural e a conveniência. Indústrias e outras instalações mais pesadas não podem ser bloqueadoras da expansão de núcleos habitacionais e de parques públicos, e é aí que devem operar em conjunto as legislações específicas, caso das que tratam das obras, da preservação ambiental e do bem-estar dos cidadãos. Um aeroporto em local inadequado, por exemplo, pode subverter toda a harmonia que se espera de um Plano Diretor, por causa do ruído e da limitação de expansão que impõe nos seus entornos. Por conta de mau planejamento e imprevidência política do passado é que existem tantos pontos de conflitos nas cidades brasileiras, gerando problemas e grande dificuldade para solucioná-los. Até episódios como a tragédia de Santa Catarina, as inundações constantes na cidade de São Paulo e agora em Minas, assim como os gigantes engarrafamentos do trânsito, seriam evitados ou bastante atenuados se houvessem sido implantados bem elaborados planos diretores.
O eixo Londrina-Maringá se converterá no futuro num só bloco urbano, por isso certas obras de uso comum precisam ser pensadas em conjunto, para atender aos dois pólos e às cidades intermediárias. Empreendimentos de porte gigante não precisam situar-se neste ou naquele município, mas num ponto entre eles e em local adequado às conveniências estratégicas e ambientais de toda a região. Sem prejuízo do programas localizados, é preciso ir estudando também as bases de um macro Plano Diretor, abrangendo todos os projetos de grande magnitude.

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