adoção de um certificado de responsabilidade sócio-ambiental para o etanol, como cobram os países europeus, vai beneficiar o Brasil - que é o maior produtor mundial de álcool a partir da cana-de-açúcar. A opinião é do ministro da Agricultura, Reinold Stephanes. Para ele, o ministério é favorável à iniciativa porque vai garantir a preservação ambiental e os direitos trabalhistas no setor. Stephanes, que falou na Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg), deu entrevista exclusiva à FOLHA.

O ministério é favorável a um zoneamento para plantio de cana?
O Brasil tem 6 milhões de hectares para cana, 50% para açúcar e 50% para álcool. Nossa agricultura utiliza 300 milhões de hectares, dos quais 180 milhões de pastagens. A nossa perspectiva é triplicar a produção de etanol nos próximos 10 anos - de 3 milhões para 9 milhões de hectares. Então, percebe-se que em termos de dimensão não é muito. A tendência é avançar um pouco na região de Ribeirão Preto, que produz mais de 50% do álcool do Brasil, e avançar muito em áreas de Mato Grosso, Goiás, Maranhão e noroeste do Paraná.

Haverá critérios para a expansão?
Sim. Não derrubar mais nenhuma árvore, nem para álcool, nem para pastagens ou grãos. Acreditamos que já temos área suficiente para continuarmos sendo grandes produtores. Além disso, o setor sabe que a questão ambiental é fundamental. Se a Europa ou o Japão entrarem no mercado, vão exigir a certificação ambiental e social. Precisamos de 6 milhões de hectares para cana nos próximos 10 anos e vamos entrar pricipalmente nas pastagens degradadas, que somam 40 milhões de hectares.

Então o senhor é favorável à certificação do álcool?
Sim, a meta é ter a certificação em cinco anos.

A certificação vai significar que o produtor cumpriu quais exigências?
Em linhas gerais: quem usou áreas degradadas, não derrubou mata nova, que todos os resíduos foram adequadamente trabalhados, que a qualidade do etanol atinja o padrão pré-estabelecido e que as questões trabalhistas serão respeitadas.

E quem não conseguir o selo?
É provável que não tenha mercado para colocar o produto no exterior.

Mas seria liberado no Brasil?
Não, estou dando a hipótese. Lá fora com certeza não, aqui dentro não sei como vai se comportar. Estou dizendo apenas que isso será uma exigência externa, mesmo que não façamos assim. Algo como o ISO 9000.

O fim das queimadas também fará parte da certificação? Como ficarão os cortadores de cana, já que 80% perderá o emprego com a mecanização da colheita?
Temos até 2023 para acabar com as queimadas. Até lá teremos que ter mecanismos para absorvê-los. Se a gente avançar com o programa do biodiesel, teremos uma grande capacidade de absorção nessa área. O projeto do biodiesel está sendo construído para dar condição de produção a pequenos e médios produtores, então teremos uma transferência de mão-de-obra.

As parcerias que o Brasil está fechando para produzir álcool em outros países se dão em nível governamental ou empresarial?
O Brasil quer criar commoditie do biodiesel e do etanol porque é o único país que tem condições de exportar. Você acha que o Japão e a Europa vão passar a usar etanol para ficar na mão de um único país? Para tomar essa decisão e adaptar a frota, precisam da garantia de que haverá etanol à disposição. Então o Brasil partiu para a estratégia de criar vários países produtores de álcool. Nós já levamos os maiores usineiros do Brasil para fazer parceria com empresários paraguaios. A Embrapa colocou à disposição tudo que eles quiserem em termos de variedades e tecnologia. Com relação à África, estamos fazendo transferência de variedades de cana, de bancos genéticos e de técnicos. Então, o que se quer é que esses países passem a produzir álcool para criar um mercado mundial.

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