Responsabilidade adiada - Luiz Alberto de Araújo
Luiz Alberto de Araújo
Há muitos anos se estuda neste país a implantação de um processo educacional mais moderno e dinâmico. Como já ocorreu em outras oportunidades, consta que, brevemente teremos boas novidades na área. Enquanto aguardamos, convém que se apresentem novas idéias para o debate. Serão, sempre, temos certeza, bem-vindas. Como não somos um especialista nesse setor, nada nos constrange remeter a apresentação de soluções não a um pedagogo ou a um doutor em educação mas ao ideólogo, já falecido, Mário Henrique Simonsen. Matemático, engenheiro, economista e professor, ele defendia, desde 1990, em interessantes artigos, em jornais e revistas, um ensino mais prático, capaz de melhor habilitar o estudante para a vida.
Aqui abrimos um espaço para festejar o nosso velho mestre que, desde sempre, insistia non scholae, sed vitae discimus. Homenagem prestada ao frei Libório, do São José, de Porto União, voltemos a Simonsen. Primeiro, pregava ele, ensina-se o estudante a se comunicar com clareza quer escrevendo quer falando. Tarefa, por sinal acrescentamos nós que exige sensibilidade, dedicação e uma carga horária adicional significativa, pois, no mais das vezes, o ambiente familiar e social, pela precariedade do vocabulário, prejudica o desenvolvimento verbal das crianças. Cabe aqui uma observação fundamental: Ninguém aprende o que não entende.
Quanto à Matemática, o natural, conforme Simonsen, é acompanhar o conhecimento histórico dessa disciplina, começando pelas quatro operações e pelos elementos da Geometria, correlacionando os problemas e as soluções a aspectos práticos do dia-a-dia e desmistificando, racionalizando e, por consequência, facilitando as operações fracionárias e algébricas.
Ainda no ciclo básico, segundo Simonsen, além dessas matérias, seriam transmitidos aos estudantes o elementar sobre a natureza e sobre as estruturas de trabalho e, também, as regras essenciais de convívio em sociedade.
Ao segundo ciclo caberia ampliar os conhecimentos obtidos no básico, ensinar ao aluno a aprender a aprender e adestrá-lo numa linguagem de programação de computador (Delphi, Pascal, HTML etc). À universidade e à escola técnica caberia o óbvio capacitar adequadamente o estudante ao desempenho de uma atividade útil à sociedade.
Expostas sucintamente as idéias de Simonsen, ousamos acrescentar, embora lógico, que as ações elencadas devem merecer uma contínua e permanente aferição de resultados, incluindo aí uma rígida avaliação de professores, capaz, no conjunto, de detectar falhas e acionar prontas correções.
Indispensável também é o acompanhamento do processo em todas as escolas de ensino fundamental por psicólogos e assistentes sociais, eis que, a baixa auto-estima, quase generalizada, de nossas crianças resultado, mais uma vez, do ambiente familiar e social adverso compromete seriamente o aprendizado e macula a adequada formação das gerações futuras.
Formação, aliás, que exige, por essencial, o desenvolvimento crítico do estudante, com o propósito não de resgatar pois nunca existiu mas de criar, no país, uma vibrante consciência de cidadania.
O êxito de uma profunda reforma na educação está subordinado à necessidade de que toda a Nação governantes e governados entendam, efetivamente, a absoluta primazia que ela merece.
Muitos clamam, aparentemente indignados, por melhorias na educação, muitos indicam a sua prioridade, até o momento de aplicar os sempre existentes recursos disponíveis. Aí então, urdidos, governantes e governados, priorizam, nos municípios, a pavimentação asfáltica, a construção da nova rodoviária ou da nova prefeitura e, nos Estados, aplaudem-se os subsídios às multinacionais e a edificação de magníficos jardins suspensos.
E a educação? Bem, a educação fica para depois do Carnaval ou do próximo Vasco e Corinthians, mas sempre, é claro, sob os mais veementes protestos, diante de sua inquestionável prioridade...
Posterga-se alegremente o futuro!





