RESPONSABILIDADE - O desafio de educar os filhos no século XXI
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de janeiro de 2010
Paula Costa Bonini<br> Reportagem Local 
Ter um filho é uma grande alegria. Muitos pais, ao saberem que tem um bebê a caminho, se empenham na organização do quarto, na compra do enxoval, na escolha do nome. Mas nem tudo é festa. Com a chegada da criança, a responsabilidade aumenta e, com o passar dos anos, muitas dúvidas começam a aparecer. A principal, se não for a maior, é como educar um filho nos dias de hoje.
Para discutir o assunto, a reportagem da FOLHA conversou com Fátima Cristina de Souza Conte, que é especialista em análise do comportamento e doutora em psicologia clínica. De acordo com ela, os pais não devem punir os filhos com castigos físicos. ''A atitude não ensina nada e ainda gera raiva. Os pais batem porque estão cansados, estressados e não sabem o que fazer'', diz Fátima, que orienta: ''Os adultos não podem dar atenção às birras das crianças. É preciso ignorar.''
Bater nos filhos é uma forma de educá-los?
Não. Bater só faz com que a criança pare o que ela está fazendo. É algo momentâneo. A atitude não ensina nada e ainda gera raiva. Eu sou contra o uso de punição, principalmente a física. Às vezes a pessoa acha que dar só um tapinha não tem problema. Mas isso não pode acontecer. O bater pode trazer várias consequências. A criança pode ficar muito ansiosa, inibida e passiva. Há o risco de criar um filho submisso, que se arrisca muito pouco. Outra consequência é o filho que apanha começar a responder e enfrentar os pais. Ele pode ficar agressivo.
Então a criança que apanha tem mais probabilidade de ser um adulto violento?
Sim. Ela está sendo exposta e isso causa frustração e raiva. Às vezes a criança não pode responder aos pais, mas ela vai agir com agressividade com outras pessoas. Além disso, ela está tendo um modelo agressivo de solução de problemas. Ela pensa: se meus pais me educam e me amam dessa forma então eu posso ser assim com ou outros, pois a agressividade resolve o problema e é uma atitude correta. Quanto mais um adulto bate em uma criança, mais aversiva ela se torna aos conselhos e orientações desse adulto. Além disso, a criança que apanha pode se afastar dos pais inclusive em momentos em que eles seriam muito necessários.
A resposta agressiva da criança e do adolescente não precisa ser no mesmo tom do adulto. É possível agredir passivamente, simplesmente não fazendo o que os pais querem.
Pode acontecer do filho não respeitar os pais e sim ter medo deles?
Sim. Nesses casos, quando o filho se liberta do controle dos pais ele faz coisas erradas. Não por vingança, mas porque a regra que ele formou é que tem que fazer de tudo para não apanhar. A criança sabe que se pegar determinado objeto vai apanhar, mas ela não aprendeu que não pode pegar porque quebra e pode deixar alguém triste.
É importante sempre explicar o motivo do 'não' para as crianças?
Sim. Por exemplo, os pais devem explicar que a criança não pode pegar determinado objeto porque é da mamãe trabalhar e se quebrar não vai ser possível trazer dinheiro para comprar as coisas em casa. Às vezes a criança vai insistir e berrar. Os pais devem mostrar um brinquedo que a criança pode brincar e se ela continuar esperneando é importante ignorar. Com o passar do tempo, o que parece que não deu nenhum resultado no momento vai trazer um retorno positivo.
Não tem necessidade de ameaçar: se você mexer nisso vou te bater. É preciso explicar. Tem que ter paciência, mas é dessa forma que você educa e forma cidadãos.
Quais as melhores formas de educar os filhos nos dias de hoje?
Por meio da conversa, do exemplo, do fazer junto e do elogio. Os pais batem porque estão cansados, estressados e não sabem o que fazer. É importante não dar atenção a birra que a criança faz mesmo quando está fora de casa. No supermercado, por exemplo, quando a criança quer algo que não será comprado, os pais devem explicar o porquê do não, mantendo a calma e a serenidade diante da birra. As pessoas ao redor devem notar que você está educando seu filho.
Não adianta bater, pegar forte no braço da criança. Os pais não querem passar vergonha com a birra do filho em um lugar público, mas eles acabam passando vergonha quando batem nos filhos nesses locais. É melhor escolher a vergonha útil.
Muitos pais não suportam ver o sofrimento do filho e acabam fazendo as vontades da criança.
Mas esse é um sofrimento natural da vida. A criança tem que aprender a lidar com alguns sofrimentos. Se não for assim, ela vai virar uma pessoa extremamente frágil em um mundo competitivo e exigente.
E de que forma os pais devem corrigir os filhos? Quais as punições aceitáveis?
É importante corrigir a criança, sempre valorizando as atitudes corretas dela. Mas se isso não for possível, os pais devem aguentar os berros, pensando que não está acontecendo nada de errado. Deixa ela chorar, pois está fazendo isso porque quer algo que não pode. Não é o fim do mundo. Mesmo que o choro seja enorme, o sofrimento dela não corresponde. Às vezes o tamanho do choro é para mobilizar os pais. Não significa que a criança está sentindo tudo aquilo. Ela apenas já percebeu o quanto tem que chorar para conseguir o que quer.
Se for preciso fazer o filho sofrer uma consequência, pensa em algo natural. Por exemplo, diga que se ele quebrar o brinquedo do irmão vai ter que dar um brinquedo dele. É uma forma de corrigir. Se sujar algo, faça a criança limpar mesmo que ela ainda não consiga fazer direito. Não dá para educar uma criança pequena só falando. É preciso ter atitude.
E quando não é possível fazer a criança sofrer uma consequência natural, o que fazer?
Nesses casos, os pais devem tirar algo que a criança gosta de fazer. Por exemplo, deixar o menino sem jogar videogame. Pode colocar para pensar também. Pelo menos para ela se acalmar. Mas o tempo em que a criança fica pensando tem que ser de acordo com a idade dela. É um minuto por a


