RESPONSABILIDADE - Educação ambiental vem de berço
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terça-feira, 04 de maio de 2010
Bruno Maffi<br> Reportagem Local 
Quando o assunto é preservação do meio ambiente, geralmente apontamos as responsabilidades do governo e das empresas. Mas, e a nossa parte? Segundo a professora Mônica Moraes Godoy, a maior dificuldade que temos é a de nos enxergarmos como parte do planeta, elos de um sistema, e não como usuários dos recursos naturais.
Mônica é mestre em Gestão Ambiental pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e professora de Direito Internacional e Ambiental na Faculdade Estácio de Sá, também em Santa Catarina. Nesta entrevista, ela ressalta que desde a infância temos que criar consciência sobre a importância da preservação do meio ambiente. E aponta que medidas simples, mas que em conjunto podem transformar a realidade que vivemos, podem fazer a diferença.
''Que tal diminuirmos dois minutos no banho diariamente? Que tal nos programarmos com vizinhos para levar as crianças à escola num mesmo carro? Que tal atentarmos para os nossos hábitos de consumo e destinação do lixo? A chave é a responsabilização pelo que consumimos, produzimos e utilizamos em nosso planeta, que, afinal, é a nossa casa'', sugere.
Como a educação ambiental pode ser trabalhada nas escolas?
A educação ambiental deve ser trabalhada como uma dimensão dentro dos conteúdos. É importante que se entenda que ela não é uma disciplina ou um método de ensino e sim um tema transversal. O trabalho deve ser permanente. Devemos fugir de atividades isoladas, dando preferência a projetos consistentes, que trabalhem entre outras coisas com a quebra de paradigmas e tomada de consciência sobre a crise civilizatória que vivemos.
Qual é o papel das crianças em relação à conscientização ambiental? Hoje elas são multiplicadoras dessa preocupação?
Não só podem ser como já fazem isso. Creio que muitos já foram repreendidos ou advertidos em suas condutas por crianças em idade ainda pré-escolar. Mas não só as crianças, todos nós podemos funcionar como agentes multiplicadores, dentro de nossas famílias, no condomínio, no ambiente de trabalho. O simples fato de fazer diferente já chama a atenção dos outros.
Qual o papel do educador na questão ambiental?
O educador tem o papel de abrir espaço para a informação e a construção de novas posturas, além de também funcionar como exemplo de conduta. Abrir espaço para a informação não significa saber tudo e sim construir o saber sobre os mais diferentes e complexos recortes que a questão ambiental pode ter, como degradação do solo, consumo, cultura, aquecimento global, sustentabilidade.
Que iniciativas simples poderiam tornar a escola mais responsável do ponto de vista ambiental?
Separação de lixo, utilização racional de recursos como papel, energia e água, consumo de frutas e verduras da estação, esquema de carona solidária entre alunos e funcionários, entre outras. Já no rol das mais complexas podemos citar adaptações de arquitetura como janelas maiores, acessibilidade para portadores de necessidades especiais, captação de água da chuva, plantio de hortas etc.
A legislação ambiental brasileira é suficientemente atualizada?
Nossas leis, embora possam ser melhoradas, se fossem cumpridas já minimizariam os reflexos da crise ambiental que vivemos. Temos o grande problema da fiscalização e da corrupção, não só na área ambiental, fazendo com que nossa legislação se torne ineficaz. Ainda assim, creio que temos bons instrumentos como o Estatuto das Cidades, tratando sobre planejamento urbano, questão seríssima e pouco discutida. Também a lei que trata do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, abordando a questão de áreas protegidas, e a Lei de Crimes Ambientais, entre outras.
Como é possível conciliar preservação ambiental com utilização dos bens naturais?
Creio que é possível conciliar. Essa é a ideia do desenvolvimento sustentável: utilizar os recursos naturais de modo que os mesmos estejam aqui para as futuras gerações. Tudo depende da vontade política e empresarial. Tecnologias com certeza existem.
Nossas leis, se cumpridas, já minimizariam os reflexos da crise
Preservação depende da vontade política e empresarial


