''Respondi que era gay. Meu pai se calou''
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sábado, 09 de agosto de 2003
Luka Morais<br>Reportagem Local 
''Por que você vive defendendo os gays? Você tem algum amigo gay? Quem é? Você é gay?''
Ao ouvir a resposta afirmativa, o pai de Lucas (nome fictício), 21 anos, se calou. O silêncio dura até hoje, um ano e meio depois do interrogatório. A mãe, que reagiu com choro, também não tocou mais no assunto. E quando algum programa na TV faz abordagem sobre homossexualismo ela sai da sala. ''É uma ferida exposta para eles'', comenta o rapaz.
Lucas diz que, apesar de ter outros dois irmãos mais velhos, se sente só em casa. ''É difícil para eles aceitarem. Sou uma pessoa aqui dentro que não pode fazer nada. Nem trazer amigos para casa'', desabafa. Ele conta que já teve um namorado e que o relacionamento deles era aceito pela mãe do rapaz, separada do marido. ''A gente ficava junto na casa dele sem problemas'', lembra.
Para Lucas, que se sente uma exceção, a descoberta da preferência por pessoas do mesmo sexo não foi traumática. Ele conta que se sentia diferente mas que isso não gerava nenhum conflito. Nem as brincadeiras que os colegas faziam na escola o incomodavam. ''Eles tinham inveja de mim'', afirma. ''O problema é para minha família que é muito religiosa''.
Entendendo que a homossexualidade deve ser encarada com naturalidade, Lucas confessa não ter esperança de que seus pais mudem de comportamento. ''Eles pensam que eu vou sofrer por ser assim. Mas eu sofro muito mais pela forma como eles estão me tratando'', desabafa.


