Três anos depois de implantada em Londrina, a campanha Pé na Faixa, que tem o objetivo de dar mais segurança ao pedestre, ainda não emplacou. Quem se detém alguns momentos observando os pontos onde os motoristas deveriam dar passagem para o pedestre que inicia a travessia presencia muitos casos de desrepeito. São vários os relatos de pessoas que foram forçadas a dar passagem para carros, motos ou bicicletas. Segundo a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), foram aplicadas na cidade entre 400 e 420 multas relacionadas ao desrespeito ao pedestre no primeiro semestre deste ano.
Por que o brasileiro tem tanta dificuldade em obedecer as regras de trânsito? Mesmo quem deve dar exemplo acaba cometendo deslizes. Prova disso é a substituição, esta semana, do secretário municipal de Trânsito de Curitiba, Marcelo Araújo, que se envolveu em uma polêmica após a imprensa descobrir que ele tinha 22 pontos na carteira. Consequentemente, Araújo teve que entregar o documento ao Detran e frequentar curso de reciclagem.
Esta semana, uma decisão por unanimidade da Primeira Turma Civil do Tribunal de Justiça (TJ) do Distrito Federal pode mudar o rumo das análises sobre os direitos do cidadão e os deveres dos motoristas. Seis anos depois de atropelar e matar um ciclista em Brasília, o motorista foi condenado a pagar R$ 150 mil por danos morais aos pais da vítima, além de arcar com as despesas do funeral e o pagamento de pensão de R$ 970 à filha do ciclista, de 13 anos, até que ela complete 25 anos.
Pesou na decisão do TJ o fato de que o acidente ocorreu por imprudência do motorista, que trafegava em local proibido, acima da velocidade e não parou para prestar socorro. O réu já foi condenado anteriormente a seis anos de prisão, mas ele recorreu e responde em liberdade. A importância dessa condenação é clara: o preço da indenização é salgado e poderá funcionar como um alerta para quem não respeita as leis de trânsito.

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