Uma sociedade justa e igualitária se constrói com respeito às diferenças. Série de reportagens publicadas pela FOLHA nesta semana relata o drama vivido pelas transexuais, que diariamente são vítimas de preconceito, seja em casa, na escola ou no trabalho. Em seu artigo 3º, parágrafo 4º, a Constituição Federal expressa como um dos objetivos fundamentais do Brasil a promoção do ''bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação''.
Embora tenham sido registrados vários avanços nas últimas décadas, o preconceito, infelizmente, é uma prática antiga e antige todos - ou tudo - o que é considerado fora de um padrão normal e preestabelecido. No caso da homofobia, sua manifestação pode ser silenciosa ou agressiva, podendo ir do bullying, injúrias ou gestos a ironia ou antipatia no convívio social. E o mais triste é que essas pessoas são afastadas da sociedade, chegam a parar de frequentar a escola, abandonam a casa dos pais e caem na prostituição. Nas ruas, continuam a ser vítimas da violência.
No caso do Paraná, a homofobia atinge níveis preocupantes, uma vez que o Estado registrou o segundo maior número do País de assassinatos de transexuais e travestis. De 1º de janeiro de 2008 a 17 de outubro de 2012, foram 46 homicídios. São Paulo tem a maior quantidade: 55 no mesmo período. Os dados foram levantados pelo Grupo Gay da Bahia e são baseados no acompanhamento diário das notícias veiculadas nos meios de comunicação. Em todo o País, 442 homens e mulheres trans foram mortos nesse período.
Além disso, relatório sobre violências homofóbicas no Brasil, publicado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República em julho de 2012, o Paraná registrou 419 violações contra o público LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros) no ano passado. As notificações incluem, além de homicídios, casos de discriminação, negligência, violência física e sexual. A taxa de denúncias efetuadas é de 4,06 a cada 100 mil habitantes; a média nacional é de 3,46. Esses números indicam que os casos podem estar sendo subnotificados no restante do País e mostram que os paranaenses conhecem seus direitos e formalizam denúncias. No entanto, o cenário está longe do ideal.
Além de estimular denúncias e combater a homofobia, o ideal é que o Estado invista em campanhas educativas e promova treinamentos de professores e funcionários das escolas. Qualquer tipo de preconceito deve ser extirpado da sociedade.

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