Respeito aos velhos
Respeito aos velhos
Vilson Romero
De chinelos, às vezes de pijama todo o dia, eles arrastam seus pés cansados pela casa. Carregam nos ombros o peso das décadas, a experiência dos tempos, que soçobram a coluna e enfraquecem o corpo. Muitos, também, estão rolando pelos depósitos de gente, chamados asilos, abandonados pelos familiares ou esquecidos pelo mundo. Outros sobrevivem com minguados reais pagos pela previdência ou ajuda dos que restaram da família. Sem contar com os que perambulam pelas ruas ou vegetam nos hospitais e casas de repouso, olvidados pelo tempo, pela vida e por todos.
Esta é a triste realidade da maioria dos nossos idosos, num país que esquece os que o construíram e de filhos ingratos e desatenciosos. Já são mais de 13,5 milhões com mais de 60 anos. Em 2025, serão 24% da população, mais de 56 milhões. Quase 60 milhões baterão às portas da previdência, dos postos de saúde, dos hospitais, necessitando recuperar a saúde e a atenção perdidas.
A falta de uma política nacional de preservação de qualidade de vida de nossos mais respeitáveis concidadãos nos angustia. O incentivo aos clubes da melhor idade e aos centros de convivência, que permitam algo mais do que a isenção do pagamento do Imposto de Renda ou da passagem do ônibus, bem como o atendimento digno no SUS são providências que minimizariam o descalabro com aqueles que podem ajudar, com sua experiência, a tornar o mundo melhor. É hora de pensarmos me nosso país, avós e bisavós, por nós também chegaremos lá.
- VILSON ROMERO é jornalista em Porto Alegre (RS)





