Respeito ao médico é respeito à vida
Situação complicada. Os 200 médicos plantonistas de quatro hospitais de Londrina que pediram demissão dos plantões pelo SUS - não aceitaram a proposta da Prefeitura e, ontem, decidiram suspender os atendimentos.(Reportagem e serviços na página 7).
Os médicos que tomaram essa medida defendem o cumprimento de um contrato que resultou de uma discussão demorada. Tem mais: a remuneração pelo plantão à distância, fixada no contrato, é dispositivo legal consubstanciado em resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM).
Portanto, não é um prêmio, nem gratificação. É dispositivo que tem força de lei.
E ainda há uma questão política. Respeitar os direitos do médico no exercício legal da sua profissão é manifestar repeito à vida. Médicos atuam em defesa da saúde e, portanto, da vida.
Elementar? Com certeza. Este é um conceito básico. Mas, às vezes, os médicos (também eles) têm que brigar na Justiça para fazer prevalecer o que já é de lei. Quando isso ocorre com outras categorias, ou pessoa física, é paradoxal porque, teoricamente, ninguém precisaria recorrer à Justiça para fazer prevalecer um direito. Quando, então, são os médicos que têm de recorrer à Justiça (ou à demissão, como agora) para que prevaleça um direito, é porque estamos diante de uma situação que sugere falta de lucidez.
É que o não cumprimento de um direito conspira, diretamente, contra a qualidade dos serviços. E o serviço, no caso, é o cuidado que se deve ter com a vida (de crianças, adultos, idosos...).
Esse trunfo dos médicos poderia ser traduzido numa frase: mais respeito a um trabalho ligado à saúde. Não que seus agentes negligenciem deliberadamente, em represália, ou porque usam este diferencial para pressionar em favor de suas reivindicações. Apenas por uma questão de prioridade em políticas públicas.
É função da imprensa alertar para a gravidade da situação. A postura das autoridades da saúde pública deve ser revista. É hora de trocar a intransigência pela serenidade.





