Respeitem o Paraná!
Hélio Duque
Ânimo empreendedor. Gente inigualavelmente trabalhadora. Corajosa no desbravamento de fronteiras pioneiras do norte, oeste e sudoeste, em tempo recente. O paranaense é de fato um povo especial. Tanto os que aqui nasceram, ou aqueles outros que vindos dos mais diferentes quadrantes, fizeram desse solo sua querência eterna. Europeus, sobretudo do leste, mas também do oeste, em levas de imigrantes buscando um mundo melhor, fixaram-se, fundamentalmente, no sul. Nas outras regiões, paulistas, mineiros, gaúchos, nordestinos, italianos, japoneses e outros cidadãos do mundo delimitaram a ocupação de uma fronteira humana extraordinária.
Isto é o Paraná. Um mosaico de civilização, às vezes contraditórias, mas com uma síntese notável: todos desejosos de construir um mundo melhor para si e para os seus filhos e netos. O Paraná do desafio, o Paraná uma quase terra prometida. O Paraná altivo, orgulhoso, mas não arrogante, de traçar pelo trabalho de seu povo o seu rumo e o seu destino. O Paraná sem traumas que separando-se, após árduas batalhas, da 5ª Comarca de São Paulo, fez do baiano Zacarias de Goés e Vasconcelos o seu primeiro governante. O Paraná que na Revolução Constitucionalista de 1893, escreveu no cerco da Lapa uma batalha memorável e afirmativa de crença nos valores democráticos. O Paraná trabalhador que já foi responsável por 25% da produção de grãos no Brasil. O Paraná essa admirável terra de todas as gentes. Gente simples, mas não simplória. Audaciosa.
A República precisa respeitar o Paraná. O general Leônidas Cardoso, pai de Fernando Henrique, era paranaense de Curitiba. Mais do que general, como deputado federal de São Paulo, foi um grande patriota e defensor da verdadeira integração brasileira. O ex-presidente Jânio Quadros fez o seu curso secundário no Paraná. O generoso Paraná não precisa de apresentação, nem de recomendação para dizer que é.
Por tudo isso e em nome da sua história, os paranaenses precisam perder a timidez que prejudica. O Paraná quer da federação o que é seu direito. Infelizmente na vida política brasileira, muitos acreditam que somos apenas um caminho para o Rio Grande do Sul. Chega, basta. O paranaense precisa perder sua vocação de autofagia, de antropologia destrutiva que desserve ao Estado. Precisa fazer política nacional. Sair dos limites estreitos do provincianismo. Onde interinamente a pregação pela mídia não atinge o país. E parte da sua elite política em demonstrações primárias ajudam a desmoralizar o Estado, pelo ‘‘dedurismo’’ explícito e condenável. No recente episódio dos ‘‘pianistas’’ um parlamentar suplente resolveu agregar depoimento de mau-caratismo sobre um colega de bancada, objetivando, unicamente, a sua vaga de titular. Deplorável, indigno. Tudo isso serve para alguns catalogar o Estado como um reduto de aventureiros arrivistas destituídos do verdadeiro significado da ética mais elementar.
O Paraná não merece isso. Nossa gente é decente, competente, trabalhadora, orgulhosa dos seus valores, por isso mesmo não pode, no estamento político, ser sub-representada. O Paraná não pede, não mendiga, precisa reivindicar o que tem direito. Não é possível que o Brasil atrasado, retrógrado e oligárquico esmague a verdadeira modernidade que o Paraná, sem favor de ninguém, representa e é. Audácia, coragem e firmeza, tem faltado aos governantes paranaenses. Não estariam à altura do que é, de fato, o nosso povo. É preciso mudar tudo isso. Ou não?
- HÉLIO DUQUE é economista e ex-deputado federal.

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