O Paraná não pode sucumbir às imposições do Governo Federal e permitir desastres humanos e ambientais, em seu fértil território, por conta de inundações de vastas áreas para sustentar usinas hidrelétricas. O Paraná sempre foi visado para ser hospedeiro de usinas movidas a água, por conta de seus ricos mananciais, mas já é suficientemente generoso com a nação ao fornecer o seu melhor produto, consubstanciado nas abundantes safras agrícola e pecuária. E se ainda se exige do Paraná que forneça energia elétrica, é oportuno refrescar a memória das autoridades federais apontando para Itaipu, a maior usina hidrelétrica do mundo e que se situa em terras paranaenses. Com isso, extensa área produtiva foi alagada e Sete Quedas sufocada. A cota de contribuição nesse setor, portanto, já está dada. O Paraná é superavitário na produção de energia elétrica, significando que fornece grande parte a outros Estados. E é até ocioso lembrar que os produtores rurais paranaenses já abastecem de alimentos, em larga escala, a mesa dos patrícios, e de sobra traz dólares de exportação. Usinas hidrelétricas significam afogamento de terras dadivosas, o que se traduz por menos produção alimentar. É uma imprudência cometer esse delito, por conta do temor de futuros apagões, no Brasil porque há soluções alternativas. Mais grave do que isso e dos danos ambientais que não podem naturalmente, ser relegados é a questão do sequestro de terras produtivas e a da expulsão dos moradores de suas propriedades, atingidas pelos alagamentos. Enquanto se apresentam tantas soluções de outras fontes limpas de energia entre elas a solar, a dos ventos e a da biomassa os governantes insensatos descuidam do homem e da preservação de seu meio de susbsistência, que é o que extrai da terra. Inacreditável que o governador Roberto Requião, tão zeloso e prudente em outros campos, permita que o Paraná seja invadido por ''tsunamis'' e ''furacões'', que tanta devastação irão causar. Não há outra denominação senão esta, e parece que todos os avisos são em vão. O governador precisa refletir sobre essa condescendência. O Paraná lucrará mais vendendo energia elétrica ou vendendo alimentos? Lucrará mais mantendo no seu habitat natural as famílias enraizadas nas terras ou vendo-as em fuga no rumo das favelas, quando começar a fazer água na soleira de suas casas? É preciso travar uma guerra de resistência, e bom seria se o governador Requião não estivesse perfilando na banda contrária. Mas se esta for sua posição e ela for mantida, os cidadãos paranaenses terão de lutar também contra ele.

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