A demissão inesperada, a separação dos pais, a morte de um ente querido. Motivos não faltam e estão presentes em nosso dia-a-dia de ''prontidão'' para desabarmos. Em contrapartida, a resiliência nunca esteve tão em voga. Habilidade que o ser humano tem de absorver os impactos durante a vida, a resiliência deixa o conceito de predicado e é encarada como característica natural a ser trabalhada. Em entrevista à FOLHA, a psicóloga Iara Monteiro Castro aposta na resiliência familiar, calcada em partilhar os problemas e encará-los de frente por todos, e cita o Crescimento Positivo, conceito defendido pela norte-americana Froma Walsh.

Com a resiliência, diz-se que o ser humano se torna mais elástico diante dos problemas. Por quê?
Ele consegue superar as adversidades de forma a não adoecer. Esse é o grande diferencial. Por que algumas pessoas adoecem, diante de alguma adversidade, desenvolvendo algumas patologias mais graves, e outras saem fortalecidas de uma situação de adversidade? Fazendo uma analogia: ser resiliente é ser como uma ponte, que suporta uma sucessão de jamantas, firme, nada vulnerável a tempestades e vendavais.

Como é possível trabalhar a resiliência?
Tendo acesso a mais grupos, sejam eles a família, igreja, escola, associações de bairros, que, de alguma forma, produzam uma possibilidade maior de superação. Os grupos que apóiam as pessoas num momento de adversidade fazem com que elas possam se reorganizar a partir desse instante.

A norte-americana Froma Walsh, especialista em resiliência familiar, fala muito sobre um fenômeno chamado Crescimento Positivo. Qual a definição disso?
Tive minha formação com Froma Walsh e ela traz que a resiliência familiar é ter forças mesmo quando essa família está em frangalhos, após uma perda, no que ela chama de Crescimento Positivo. Há pessoas que vivem situações muito prolongadas de estresse e não conseguem se adaptar à realidade vigente. Por isso que reitero: os grupos têm se revelado muito importantes. A resiliência tem sido estudada na pediatria, na psiquiatria, na educação, em muitas áreas. Há escolas, igrejas e hospitais que podem trabalhar as potencialidades, ao invés de focar a patologia, a doença. É uma visão macro, onde você vai buscar recursos para que a pessoa supere e se reorganize a partir da adversidade. Não adianta eu me fortificar, se, ao lado, não vir a mesma boa vontade.

É impossível superar as adversidades sozinho?
Não. Existem pessoas que têm recursos intrapsíquicos que as fazem superar as adversidades. Contudo, acho mais produtivo e saudável buscar a ajuda de outras pessoas e redes sociais.

Diante de fatores como índice de violência nas alturas, desmandos políticos e alta carga tributária, podemos dizer que os brasileiros são mais resilientes?
É importante que a sociedade conheça possibilidades para o desenvolvimento da resiliência. Existem algumas situações extremas, como a pobreza, fatores que dificultam a resiliência. Por isso é importante termos apoio do governo e das esferas políticas para as pessoas desenvolverem a resiliência. Isso vale para o Brasil e para o mundo todo. Como bem sabemos, a corrupção e os desmandos não estão isolados.

Serviço:
A psicóloga Froma Walsh ministra Workshop em Londrina nos dias 14 e 15 de novembro no Hotel Blue Tree. Outras informações e inscrições pelo telefone (43) 3327-6676 ou pelo site www.isbl.org.br/pos.

mockup