Resgate da cidadania - Renan Calheiros
Resgate da cidadania
Renan Calheiros
Durante 465 dias tive o privilégio de ocupar o cargo de ministro da Justiça e a honra de comandar a cadeira que já pertenceu a nomes ilustres como Rui Barbosa, Tancredo Neves, Pedro Horta, Miguel Seabra Fagundes e tantos outros que dignificaram a pasta mais antiga da Esplanada dos Ministérios.
Não obstante a tradição do Ministério e sua vocação jurídica, nunca procurei ostentar atributos que não possuo. Nunca falei latim, pois venho da representação popular e nunca pretendi ir para o Supremo Tribunal Federal. Durante meu período priorizei as soluções para os múltiplos temas que mais afligem nosso cidadão em seu cotidiano.
Desta forma evidenciamos à frente do ministério áreas até então desconhecidas e dentre elas posso destacar a defesa da concorrência, o resgate do conceito de cidadania, a preservação dos direitos dos consumidores, a valorização da vida no trânsito e um grande avanço nas demarcações e reconhecimento de terras indígenas.
Em 15 meses, aprovamos mais de 20 projetos no Congresso, assinamos acordos internacionais imprescindíveis no combate ao crime organizado, e atuei pontualmente em defesa dos consumidores e dos cidadãos brasileiros. Qualquer que seja o meu sucessor, esta aproximação entre Ministério da Justiça e sociedade terá que continuar.
Posso assegurar que deixo o cargo - afinal nunca busquei, sempre persegui encargos - de cabeça erguida, olhando nos olhos das pessoas, pela porta da frente e com o alento de quem cumpriu seu dever. Ressentimentos e mágoas são categorias negativas e minha formação não me permite trabalhar com elas. Nesta missão procurei manter sempre, como é de minha natureza, a dignidade do cargo, a transparência, a honradez, a probidade e o relacionamento mais respeitoso com o presidente da República.
Não tenho, igualmente, constrangimentos ou embaraços em deixar o Ministério da Justiça. Nenhum homem público pode pretender se eternizar em postos públicos. A transitoriedade é um conceito obrigatório. Volto humildemente à solidão da planície torcendo pelo êxito de meu sucessor e do País. A sociedade brasileira, exemplo de dignidade, merece que seus governantes acertem.
Por fim agradeço, sinceramente, aos veículos que, ao longo deste período, ajudaram a divulgar as ações do Ministério da Justiça. Mais do que uma simples divulgação foi uma prestação de contas, uma satisfação obrigatória ao cidadão. Não admiti examinar a hipótese de assumir a liderança do governo no Senado, por isso estou reassumindo o meu mandato como senador, a fim de trabalhar por Alagoas, pelo meu partido e pelo País.
- RENAN CALHEIROS é ex-ministro da Justiça





