Devem merecer a atenção das autoridades do ensino as declarações, feitas a este Jornal, pelo psicoterapeuta Ivan Capelatto (de Campinas) sobre as relações entre professor e aluno. Com propriedade, ele diz que é necessário resgatar o professor/educador e mostrar ao estudante seu lugar mais claro, que é o de protagonista e não de um passivo ouvinte. Defende que é preciso que os pais de alunos estejam mais por perto e ataca o Governo, que segundo afirma ''não se importa com a educação''.
Conforme suas palavras, o momento presente é marcado pelo abandono do ensino-aprendizagem, pelo excesso do virtual e pela substituição do bom pelo belo, do inteligente pelo esperto e do bem pelo materialismo. De há muito se questiona o conteúdo do que é ensinado nas escolas, mas é certo - como esse especialista declara - que o ensino deve servir à vida. Por isso, o educador deve ouvir o aluno e saber de suas angústias e dificuldades.
Com efeito, é preciso que o educador adote ''a boa e velha pedagogia, principalmente a afetiva, que aproxime o professor e o aluno num objetivo comum''. Mas Capelatto ressalta algo desestimulante (conhecendo-se bem o que predomina no setor público): que o professor não tem autonomia e nem autoridade suficientes para cuidar da educação. Imagina-se como seja o quadro de pedagogos do Ministério da Educação, que são os que impõem as metodologias! Mas não são apenas os problemas citados por esse estudioso das questões educacionais e sim também o que se ensina e o que se deixa de ensinar. Porque sabidamente os alunos, com raras exceções, não gostam de ir à escola e disto o próprio sistema pouco se apercebe, preferindo lançar a culpa na rebeldia da juventude. Ocorre que essa mesma juventude se interessa por tantos outros ensinamentos bons, então não existe uma rejeição ao aprendizado e sim à pouca serventia de certas coisas dos currículos, ao cansaço pelo demorado tempo dentro da sala de aula e ao tédio que tudo isso gera.
Acrescente-se que o dever de casa é condenado por alguns cientistas educacionais, assim como o exagerado peso das mochilas (principalmente para as crianças), porque a sugestão é que o material fique guardado nos escaninhos das escolas. Assim é em alguns países mais desenvolvidos, já que levá-lo e trazê-lo é desnecessário. Quando ao trabalho escolar em casa, defende-se que este é um lugar para um maior convívio com a família, hoje cada vez mais difícil porque a maioria dos familiares trabalha fora.
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