Resgatar a dívida já - Antoninho Marmo Trevisan
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de novembro de 1997
Antoninho Marmo Trevisan 
Só mesmo atacando o monstro - de frente - o governo pode debelar ataques à moeda nacional e compensar o enorme sacrifício que está impondo aos indivíduos e às empresas.
O monstro é o déficit fiscal de 4,5% do PIB resultado de uma política frouxa de quem expandia laços partidários em busca de uma reeleição. O déficit fiscal provocou rombo nas finanças públicas que elevou em mais de 20 vezes uma dívida federal que resvala hoje em quase 200 bilhões de reais, tudo formado a partir do plano Real, em apenas 4 anos. Claro que é assustador! A se manter as atuais taxas de juros de 3 a 3,5 por cento ao mês, teremos mais 70 bilhões de reais acrescidos à dívida pública.
Impagável com receitas tributárias correntes. Por isso, não se pode cogitar que essas taxas de juros perdurem por mais de 60 dias. É o prazo que as empresas suportariam, dando férias a seus empregados e arcando com os prejuízos. Do lado do governo, um período superior a 60 dias seria fatal porque contaminaria as suas próprias finanças e o pacote que eleva impostos teria sido em vão. Afinal, desempregado não tem renda a tributar e empresa sem lucro não tem imposto a recolher. Tudo porque o governo gastou mais do que arrecadou. Agora, é preciso reformar - e bem - a administração pública e a Previdência Social para equacionar o problema. Arrecadar mais impostos não dá mais. Quem aumentou a carga tributária de 25% para 31% do PIB como fez o governo e não equilibrou suas contas já perdeu a confiança do contribuinte. Afinal, cada ponto percentual tomado do setor privado corresponde a 7,5 bilhões de reais. Multiplicado por 6 dá 45 bilhões de reais por ano. E tudo em vão. Nenhum tostão foi gasto em investimentos fixos; só gastos para custear a modorrenta máquina pública, para pagar a Previdência Social discutível e juros irreais. Um desastre que os ministros da Fazenda e do Planejamento procuraram tratar com menor importância. É importante alertar que o buraco está longe de ser tapado. O monstro malvado que nos come o coração é a dívida pública. Vamos eliminá-la e dar oxigênio novo à sociedade. Tomemos todas as ações das estatais, adicionemos os direitos de concessões públicas que devem somar uns 200 bilhões de reais e vamos formar um fundo de resgate instantâneo desta dívida que nos consome a todos. Os títulos deste fundo seriam trocados pela dívida e seus felizes detentores teriam o privilégio de utilizá-los nos disputadíssimos leilões futuros de privatizações e concessões públicas. Não adianta dourar a pílula e nem deixar os juros nas alturas até quando Deus quiser como disse o nosso presidente. Deus é contra a cobrança de juros e juros nessas alturas corroem a atividade econômica. Não pode, não dá e ninguém quer.


