REQUIÃO X RICHA - 'Justiça autorizou pagamento'
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Os R$ 10 milhões pagos em 2002 pelo então diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), José Richa Filho, para a empresa DM - responsável por obras na BR-376, entre Curitiba e Garuva - tem sido tema de uma guerra travada entre o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), e o governador Roberto Requião (PMDB). Tudo porque, numa reunião do secretariado, Requião afirmou que o pagamento teria sido efetuado para ajudar no caixa eleitoral do tucano ao governo do Estado.
Em entrevista à FOLHA, o irmão do prefeito de Curitiba e secretário municipal de Administração, José Richa Filho, garantiu que o pagamento foi feito por determinação da Justiça. Também enfatizou que Requião não tem provas e que o caso se tornou ''assunto político''. O prefeito da Capital declarou apoio ao adversário de Requião, o senador Osmar Dias (PDT).
O que o senhor achou da CPI para investigar o destino dos R$ 10 milhões?
Temos interesse na apuração. Acho até que o governador tem fugido da raia. Faço questão de que o governador vá em frente e especule onde foi parar o dinheiro. Até porque o empresário (da DM) já permitiu a quebra de sigilo da conta dele.
A ação que tramita na Justiça já não seria responsável por tratar do caso?
O governador não trabalha em cima do fato. Ele costuma trabalhar em cima da versão que ele cria do fato. E, para ele, aquilo é verdade, independente do que pensa a Justiça.
A CPI traria um desgaste político ainda maior?
Acho que o desgaste político maior é do governador. Até agora não conseguiu comprovar irregularidade nenhuma. Porque não há, e ele sabe disso. Se tem alguma dúvida, basta perguntar para o Rafael Iatauro, que era presidente do TC na época e hoje está ao lado do Requião (como secretário-chefe da Casa Civil). Ele está tentando levar para o lado político, para desviar a atenção e desconstruir a imagem do prefeito.
A obra já teria sido paga antes de 2002. Por que foi feito, então, mais um pagamento de R$ 10 milhões?
A empresa alegou que prestou alguns serviços que estavam além do que o previsto ali no contrato. E a Justiça reconheceu que era devido o pagamento de R$ 10 milhões.
Como foi feito o pagamento?
Qualquer diretor do DER só tem autonomia para realizar despesas no valor de R$ 50 mil. Então, um pagamento de R$ 10 milhões tem todo um trâmite. O conselho diretor do DER analisou documentos, deu parecer favorável, e daí foi para a autorização do governador (Jaime Lerner). Foi feita ainda uma consulta no Tribunal de Contas, que também deu parecer favorável.
Na época em que o governador entrou com uma ação na Justiça sobre o caso, em 2003, o que o senhor e o Beto Richa alegaram?
Não havia nada. Ele nunca citou nosso nome. Inclusive me convidou na época para ser diretor administrativo-financeiro da Agência de Fomento. Dentro da estrutura do Executivo, é a instituição que mexe com todo o dinheiro que circula, de financiamentos e tal. Ele só mencionou a Cila Schulmann (publicitária responsável pela campanha eleitoral do Beto Richa em 2002). E ela está processando o governador por danos morais.


