Requião e Osmar iguais em propostas e agressões
O debate entre os candidatos Roberto Requião e Osmar Dias, na televisão, foi uma reedição do que já havia acontecido, e ambos empataram em propostas de governo e em agressões mútuas. Não houve um só momento das falas em que um não atacou o outro, e não faltaram ironias e rusticidades de parte a parte. Porque os dois se equivalem em certos atributos de irreverência, e não só quando se enfrentam mas também no trato geral com as pessoas, nos momentos de inquietude. Requião mais sutil e às vezes sarcástico em seus disparos, Osmar mais direto - e ambos eloquentes - mas um e outro não são o que se poderia qualificar de um primor de ternura e delicadeza. Os dois, com toda a certeza, estão qualificados para a missão de governar o Paraná na próxima temporada. Requião já é governador, já foi prefeito da Capital e senador, portanto com boa cancha percorrida da vida pública. Osmar é senador, foi Secretário de Estado e ocupante de outras funções no Governo, e da mesma forma não é um estreante. Sabe-se dos políticos que eles se atacam publicamente e nos plenários, mas depois trocam abraços e beijos e vão beber juntos no bar da esquina. No debate de quinta-feira Requião demonstrava cansaço, certamente resultante da intensa campanha. Não estava de gravata e não tão elegantemente trajado - o que não é nele um ponto forte - quanto Osmar Dias. Nenhum dos dois sorriu uma vez sequer, porque ambos estavam ligados em alta voltagem e a tensão era visível. Dos discursos, nada se ouviu de novo quanto aos programas de governo, mas conclui-se que se o futuro governador realizar metade do que foi prometido (por ambos), já será de bom tamanho e os paranaenses poderão considerar-se privilegiados. Pelo que se conhece, atributos de honestidade não faltam aos dois, não se podendo dizer o mesmo quanto à disputa no plano federal, porque a administração Lula foi marcada por uma infinidade de escândalos de corrupção, envolvendo importantes membros de seu Governo e de seu partido e assessores bem próximos. Integrantes do corpo parlamentar, de diferentes partidos, também rodopiaram nesse turbilhão de vergonhas, o que, a bem da verdade, não foi um fato novo na história republicana. Embora as classes mais carentes das regiões norte e nordeste demonstrem - pela amostragem do primeiro turno - preferência por um Governo que foi mais assistencialista do que desenvolvimentista, as classes produtoras dos pontos mais desenvolvidos e esclarecidos do País manifestam-se preocupados com a possível continuidade dessa política de corrupção, de gastos abusivos e de baixa operância governamental.





