Requião e Osmar equivalentes no debate
Em debate político o candidato à reeleição já entra como perdedor, porque é o governante no poder contra quem quer ingressar nele, e com a desvantagem - ou a vantagem - de quem tem contas a prestar ou boas realizações para mostrar. A existência da disputa em segundo turno já significa que um candidato não foi suficientemente aceito pelo povo, ou o teria sufragado no primeiro. Assim no Paraná, assim no plano federal. O confronto de Roberto Requião e Osmar Dias na televisão não acrescentou nada que não se sabia dos dois candidatos. Osmar, pela sua condição de atacante, não fez no debate uma proposta sem o ''couvert'' de uma crítica ao governador/candidato, de quem foi Secretário da Agricultura e de quem sempre recebeu elogios, à época (fato mencionado por Osmar). Ataques e contra-ataques não faltaram. Requião, em certos momentos, desejou mostrar erudição ao citar filósofos franceses e outros luminares, enquanto Osmar valia-se de linguagem mais simples e direta. Enquanto o governador disse que de planejamento urbano ''Osmar não entende nada'', este mostrava sua visão mais ampla sobre questões de agricultura, declarando que disto era que Requião nada entendia. Mas não apenas estes temas, porque falou-se de muitas coisas e ambos apresentaram suas propostas - Requião manifestando propósitos de continuidade de suas obras e Osmar contestando e formulando seu plano de governo, que ele chama Projeto de Estado, por propor o engajamento de todas as lideranças classistas. Para ambos, as propostas de um e de outro eram sem sentido. Os dois se equivaleram em projetos praticamente idênticos e em repulsas da mesma intensidade. Requião foi o mais detonado, pela natural circunstância de já haver cumprido três mandatos de governador, e rebateu no mesmo tom as falas do adversário. O governador ressaltou que pegou ''o Estado quebrado'', citando os antecessores Jaime Lerner e Alvaro Dias, e que ''se nem tudo no Paraná é perfeito, tudo melhorou''. Osmar rebateu que ''280 (dos 399) municípios paranaenses têm índice de desenvolvimento humano abaixo da média nacional''. A isenção de impostos e a diminuição de tarifas foram medidas citadas com ênfase pelo governador, e em outro ponto Osmar declarou que ''verbas federais para o desenvolvimento do turismo se perderam por falta dos projetos pertinentes da gestão Requião''. Em certos momentos os ataques foram diretos: ''Requião, você eu conheço bem'', ou ''Você fala mas não fez'' - palavras de Osmar quase de dedo em riste no oponente, e mostrando hospitais que Requião disse haver construído mas muitos ainda em licitação ou inacabados. Osmar estava mais sisudo, enquanto Requião mostrava-se mais sereno porém sem dispensar sutilizas e ironias. Ontem, analistas declaravam que, com um ou com outro, o Paraná não estará mal servido de governador no próximo mandato, porque - embora seja conhecida a ideologia mais de centro-esquerda de Requião - não há grandes disparidades políticas entre ambos.





