Requião e Alvaro se preparam para o confronto
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de outubro de 2002
Maria Duarte e Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os senadores Alvaro Dias (PDT) e Roberto Requião (PMDB) vão disputar o governo do Paraná no segundo turno, conforme cenário já revelado pelas pesquisas de intenção de voto.
Ex-governadores, ambos já costuram a lista de apoios para a segunda fase das eleições, marcadas para 27 de outubro. Enquanto Alvaro condena as baixarias de campanha, Requião promete mais ataques.
Poucas horas antes da divulgação do resultado, o pedetista já adotava um discurso ético. Ele disse que está aberto a apoios, desde que venham de forma desinteressada. ''Podemos receber o apoio de qualquer liderança política, mas sem barganha ou loteamento de cargos no governo'', declarou.
Alvaro avalia que sua coligação poderá contar com o apoio do PSDB partido que já presidiu no Estado e até do PT, que deve migrar também para a candidatura de Requião. ''Trabalhei durante seis anos na organização do PSDB do Paraná, que foi formado por muitos amigos pessoais'', avisou. No primeiro turno Requião declarou apoio e pediu votos para Lula, o que pode garantir-lhe o apoio petista no Paraná no segundo turno.
Alvaro não acredita que os apoios partidários alterem muito a disposição do eleitor para o segundo turno. ''Creio que o eleitor já sai do local de votação direcionado para sua segunda opção, no caso, para o segundo turno.''
Alvaro explica que espera apoio de petistas porque a posição do PDT nacional é de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva, em caso de segundo turno.
Apesar de sua coligação ter veiculado fita tentando convencer o eleitor de que Requião teria pacto com o diabo, Alvaro condenou os ataques desferidos entre os candidatos neste primeiro turno. ''Não imaginava que eles fossem tão levianos''. Alvaro disse que a fita foi colocada no ar no horário eleitoral pelo presidente estadual do PPB, José Janene seu aliado.
Já Requião que deve ter o respaldo também do PPS pretende elevar o tom dos ataques a Alvaro no segundo turno. Se ao fim do último debate entre os candidatos ao governo Requião despediu-se afirmando que ''havia lutado o bom combate'', o peemedebista se prepara agora para uma disputa muito mais ferrenha.
A estratégia de Requião será apresentar-se como uma alternativa ética e vincular Alvaro ao esquema de desvio de verbas na Prefeitura de Maringá. ''Vai ser o confronto do meu currículo contra a folha corrida do Alvaro. Só o caso do Paolicchi já mostra quem é Alvaro Dias''. Luiz Antonio Paolicchi era secretário da Fazenda de Maringá, e disse em depoimento a promotores que Alvaro Dias teria sido beneficiado com verbas da prefeitura.
Para Requião, os ataques ao seu adversário não implicam em baixar o nível da campanha. ''Precisamos acabar com essa hipocrisia de campanha de alto nível. Denunciar a corrupção não é baixar o nível. Mas se valer de calúnia e difamação, como fizeram contra mim, isso sim é baixaria'', afirmou.
O candidato acredita que radicalizar o tom da campanha irá lhe garantir a vitória no segundo turno. ''Todas as forças limpas e éticas do Paraná estarão comigo agora. E com o mesmo tempo de televisão, nossa vitória está garantida. Ainda mais agora que o Alvaro não poderá utilizar partidos de aluguel para me atacar'', afirmou.


