''É preciso reprovar, não os alunos, para encobrir o que há de errado no ensino e isentar o Estado de suas responsabilidades, mas as condições de trabalho, que provocam o mau ensino e impedem o alcance de um direito constitucional'', defende o professor Vitor Paro, autor do livro Reprovação escolar renúncia à educação (Editora Xamã).
O professor expõe o equívoco da reprovação. ''Espera-se um ano inteiro para se perceber que tudo estava errado. Qualquer empresário que procedesse assim estaria falido no primeiro ano de atividade'', afirma. E o que é pior, ele acentua, é que em lugar de corrigir os erros, repete-se tudo: a mesma escola, o mesmo aluno, o mesmo professor, os mesmos métodos, o mesmo conteúdo. ''É por isso que a realidade de nossa escola não é de repetentes, mas de multirrepetentes'', afirma.
Absurdo semelhante, observa o professor, ocorre quando se trata de identificar a origem do fracasso. Segundo ele, a atividade pedagógica supõe um conjunto de atividades, de recursos, de pessoas, de decisões. Mas, no momento de identificar a razão do não aprendizado, apenas um elemento é destacado: o aluno. ''Só ele é considerado culpado, porque só ele é diretamente punido com a reprovação. Como se tudo dependesse apenas dele. Para que, então, serve a escola?'', indaga o professor. ''A verdadeira motivação deve estar no próprio estudo que precisa ser prazeroso e desejado pelo aluno''.
Mas defender a retirada da reprovação, ele esclarece, não significa apoiar reformas demagógicas com a finalidade de maquiar estatísticas. ''O aluno que, após reprovações abandonava a escola agora chega às séries finais, mas continua quase tão analfabeto quanto antes. A diferença é que agora ele passa a incomodar as pessoas, levando os mal informados a porem a culpa pelo mau ensino na progressão continuada. Mas o aluno deixa de aprender, não porque foi aprovado, mas porque o ensino é ruim há tempos'', diz. O educador conclui: ''Apenas que, antes, esse mesmo aluno permanecia na 1 série, ou se evadia. Mas aí era cômodo, porque ele deixava de constituir problema para o sistema de ensino. Agora, com a aprovação, percebe-se a reiterada incompetência da escola''.

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