REPRISE? - 'Não fui condenado'
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quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
Antônio Belinati (PP) é um político acostumado a bater recordes - positivos e negativos. Três vezes prefeito de Londrina, dono de votações históricas e responsável por obras que marcaram a cidade, também é conhecido por ser o político londrinense que responde à maior quantidade de ações por desvio de verba e o único prefeito que teve o mandato cassado (em junho de 2000).
Amanhã, Belinati assume, como deputado estadual, seu 10º cargo eletivo - o primeiro após o período em que ficou inelegível.
Desde o início da carreira, já tinha ficado sete anos fora da política?
O máximo era dois anos, entre um mandato e outro. Hoje, tenho pedido a Deus para me dar sabedoria e cumprir bem esse mandato. Acima de tudo, pretendo ser um deputado independente, sem ficar amarrado ao governador, e sem fazer oposição radical.
Como foi seu dia-a-dia nesse período de ostracismo?
Trabalho desde os sete anos e, mesmo quando me tiraram o cargo de prefeito, não perdi o contato com o povo. De imediato voltei para a Rádio Londrina, onde comecei a carreira em 1961. E nunca escondi de ninguém: desde que me candidatei a deputado, tenho um projeto mais à frente, que é buscar o tetra como prefeito de Londrina.
Como será sua atuação na Assembléia?
Não tive apoio de nenhum prefeito, então estou à vontade para a convivência com as lideranças regionais. Quero mostrar ao governo a importância de investir na nossa região. Dia desses, o governo federal liberou esse pacote econômico e não foi destinado um centavo para Londrina e região. Eu pergunto: o norte do Paraná não é importante para o nosso país? E os nossos, que ocupam altíssimos cargos no governo Lula, o que fizeram? Londrina, que sempre foi a segunda cidade do estado em arrecadação, hoje passa por um esvaziamento econômico muito grande e já caiu para quinto lugar - atrás de Curitiba, Araucária, Foz do Iguaçu e São José dos Pinhais. É contra isso que vou trabalhar.
Após as eleições, o senhor procurou o prefeito Nedson - ou foi procurado por ele - para tratar dos problemas de Londrina?
Não, porque ainda não tomei posse. Vou mandar uma mensagem logo no primeiro dia do mandato, colocando-me à inteira disposição, não da pessoa física do Nedson, porque ele é meu adversário e nós não temos convivência política, mas para me colocar à disposição, se ele entender que posso ser útil para a administração de Londrina.
Qual sua análise do governo Requião?
Acho que até pelo susto que ele levou, praticamente empatando a eleição, deveria passar um apagador em tudo o que aconteceu e reformular o relacionamento com as bases da nossa região. Ocorreram muitos equívocos no segundo mandato, que prejudicaram a imagem dele aqui. Se souber ouvir a população, terá tudo para uma melhor votação no futuro.
Em relação à sua última administração no município, o senhor sabe quantas ações responde na Justiça - e consegue acompanhar todas elas?
Tenho bem menos ações do que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o Lula. Tenho bem menos ações do que o próprio Roberto Requião. Além disso, o que o próprio STF tem dito é que ação só tem significado se houver condenação. E não tenho nenhuma condenação.


