A repressão policial deve priorizar a redução dos crimes contra a vida. Na opinião do sociólogo Pedro Bodê, coordenador do Centro de Estudos de Segurança Pública e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), ocorre justamente o contrário. A legislação e a própria polícia priorizam crimes praticados contra o patrimônio.

Na sua opinião, são necessárias mudanças qualitativas no sistema, como a modernização e agilização do Poder Judiciário; mudanças na Justiça Criminal para que pequenos delitos não sejam punidos com prisão; e modernização e aproximação da polícia da sociedade. É sabido que a Justiça como um todo é morosa. O excesso de recursos - muitas vezes utilizados apenas como fator para postergar o julgamento do mérito da ação - e o grande número de processos acumulados são apenas alguns fatores que contribuem para esse cenário.

Na verdade é necessário agilidade no julgamento - e punição compatível com o crime. A sensação de impunidade se traduz de várias formas perante a sociedade: crimes que demoram a ser julgados, casos insolúveis e corrupção no meio público. Independentemente da concordância com a tese do sociológo, talvez uma das afirmações inquestionáveis é de que a punição ocorre basicamente para crimes praticados pelos mais pobres. Denúncias de desvio de verba pública e irregularidades na gestão têm se tornado rotineiras em todo o País. Raríssimos são os casos em que os políticos foram condenados à prisão e quase não há registro de devolução do dinheiro desviado aos erários.

Os últimos casos relatados tiveram grande repercussão. Nessa semana, a deputada Jaqueline Roriz (PMN/DF) escapou do processo de cassação na Câmara, após ter sido denunciada por recebimento de propina, inclusive, gravado em vídeo. O flagrante mostra a deputada (na época candidata a deputada distrital) e o marido Manoel Neto recebendo maços de dinheiro das mãos do ex-secretário de Relações Institucionais do DF.

Não adianta punir ''ladrões de galinha'' se os ''crimes de colarinho branco'' ficam impunes, protegidos pelos jogos de interesse, troca de favores e corporativismo. Quando a corrupção já passou de todos os limites aceitáveis é preciso punição - e mobilização da sociedade.

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