O tráfico e o comércio de drogas têm sido uma preocupação constante dos órgãos de segurança do Brasil. O Paraná é considerado porta de entrada de entorpecentes no País, principalmente na fronteira com o Paraguai. Do país vizinho entram no Estado não só produtos eletrônicos, bebidas e cigarros falsificados. Por trás do turismo comercial, diversas drogas são camufladas para burlar a fiscalização.
Balanço divulgado pelo núcleo de Londrina da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc) aponta que a quantidade de crack e de cocaína apreendida nos 73 municípios do Norte e do Norte Pioneiro disparou em 2012. No ano passado, os policiais retiraram de circulação 54 quilos de crack. Em 2011, foram recolhidos apenas dois quilos. O crescimento foi de 2.600%. Também foi expressivo o crescimento de cocaína apreendida: de cinco quilos em 2011 saltou para 45 quilos no ano passado, um aumento de 800%. Já no restante do Estado, apesar de ligeira queda, os números também impressionam. Em Curitiba, a quantidade de crack recolhida subiu 320% (passando de cinco para 21 quilos). O índice de apreensões de cocaína aumentou 700% (de dois para 16 quilos). Na região de Maringá a quantidade de crack retirada de circulação aumentou 650% (de dois para 15 quilos) e a de cocaína cresceu 14% (subiu de sete para oito quilos).
O levantamento mostra que o trabalho de repressão às drogas tem sido efetivo. No entanto, levando-se em conta que os traficantes estão cada vez mais organizados para enganar os policiais, é possível imaginar que muita droga escapa da fiscalização e acaba fomentando o comércio do vício nas cidades. Os efeitos nocivos do crack mobilizam autoridades, principalmente dos grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro onde as chamadas cracolândias expõem o drama dos dependentes químicos. A capital paulista, seguindo exemplo do Rio, impôs a polêmica internação compulsória de viciados em crack. A medida, apesar de criticada por uns, é vista como único meio capaz de salvar a vida do dependente, como defendeu o psiquiatra Élio Luiz Mauer, professor do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em entrevista publicada ontem por este jornal.
Os números do Denarc devem servir de alerta às autoridades paranaenses, pois o custo da prevenção ao vício é bem menor do que o desastroso mal causado pelas drogas.

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