Repórter teria sido torturado e morto
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sábado, 08 de junho de 2002
Agência Folha 
O Disque-Denúncia do Rio de Janeiro já recebeu 51 ligações, desde a última segunda-feira, sobre o paradeiro do jornalista Tim Lopes, da TV Globo, desaparecido desde domingo, quando fazia uma reportagem na favela da Vila Cruzeiro, zona norte da cidade.
Uma manifestação foi realizada ontem no centro do Rio contra o desaparecimento do jornalista. O secretário da Segurança Pública do Rio, Roberto Aguiar, esteve na manifestação e disse que a polícia está empenhada em solucionar o caso.
Tim Lopes fazia uma matéria sobre bailes funks no morro. Segundo nota divulgada pela Globo, havia consumo de drogas e a prática de sexo explícito -inclusive com menores.
Um traficante preso anteontem disse, em depoimento, que em um homem foi retirado no domingo à noite do baile funk da Vila Cruzeiro e levado para a parte mais alta da favela, onde foi torturado e morto a tiros. O corpo foi carbonizado. O preso não soube dizer, no entanto, se o homem era o repórter.
Um exame de DNA deverá indicar se as cinzas e fragmentos de uma mandíbula e dentes encontrados na segunda-feira na Vila Cruzeiro são de Tim Lopes. A polícia investiga a possível ligação do traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, da facção CV (Comando Vermelho), com o desaparecimento do jornalista. Elias Maluco é o chefe do tráfico na Vila Cruzeiro.
No domingo, segundo a Globo, Lopes havia marcado um encontro com o motorista da emissora, que estacionara longe da favela, às 20h. Na hora marcada, Lopes teria dito ao motorista que ainda não havia terminado sua apuração e combinou um novo encontro às 22h. O jornalista faltou ao encontro e não foi mais visto.


