Reportagem da FOLHA de hoje traz um tema polêmico para a reflexão. Um sociólogo da Universidade de Campinas, Ricardo Ojima, defende que os hábitos de consumo da população interferem muito mais na ocorrência de catástrofes ambientais do que o crescimento populacional desordenado. A tese de Ojima foi colocada durante um fórum internacional de seguros e ele se baseia na informação de que 60% do aumento das emissões de gases entre 1950 e 1980 vieram de países que contribuíram apenas com 12% do crescimento populacional. Nestes países, o consumo é maior, mas a demografia é estável.
  As companhias de seguros estão preocupadas com a cobertura das catástrofes naturais. Só no primeiro semestre deste ano, elas gastaram com esses desastres US$ 60 bilhões. Se mudanças em prevenção e enfrentamento do problema não acontecerem imediatamente, os prejuízos só aumentarão. Basta ver o crescimento do número de furacões nos EUA, segundo cálculos das seguradoras. Se entre 1900 e 1925 a ocorrência era de 1,4 furacão siginificativo ao ano, a partir de 1975, subiu para 3,8 ao ano.
  Claro que as companhias de seguro precisam se preocupar com a ocorrência de desastres naturais graves, como os que aconteceram este ano no Japão (terremoto seguido de tsunami), enchentes na Austrália e na Europa e
a temporada de furacões nos EUA que praticamente destruiu uma cidade do Alabama. Embora em menor escala, o Brasil também sofre com os desastres naturais, sendo principalmente por conta de fortes chuvas que causam enchentes e deslizamento de terras.
  As consequências desses desastres chegam para todos. São as vidas que se perdem, os traumas psicológicos, as doenças e os prejuízos financeiros. Até mesmo quem mora longe é atingido, pois geralmente essas catástrofes vêm acompanhadas de alta nos preços de alimentos e falta de produtos.
  A emissão de gases industriais que interferem na camada de ozônio e mexem com o clima do planeta são grandes vilões. Não dá para falar em evitar catástrofes naturais sem pregar mudanças nos hábitos de consumo e no estilo de vida da população dos países mais desenvolvidos. Compra-se muito por impulso e joga-se muita coisa fora. Mas o crescimento populacional desordenado na forma de ocupações irregulares não pode ser esquecido quando se fala nas consequências devastadoras desses fenômenos. Na prevenção do problema, esses dois fatores não podem ser pensados isoladamente.

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