RENZO SANSONI
Se eu fosse
ministro
Os traficantes de drogas matam, fazem e acontecem. A TV também mostra as mais exasperantes e contundentes imagens de gente chorando, sofrendo, morrendo e desaparecendo. Gente como nós mesmos, brasileiros legítimos e merecedores de atenção e amparo de toda a sociedade brasileira.
A TV Globo, nossa maior emissora, ainda tem fôlego e entusiasmo para mostrar o império e a cara dos bandidos, que impedem a polícia de subir os degraus das favelas. Mostra, também, a exigência desta gente para com os moradores e transeuntes. Lá quem manda é o bandido e quem está fora da lei é quem trabalha e ganha o pão com a decência do suor no rosto. E ninguém mexe um dedo e nem põe a mão na consciência. Apagamos a televisão e enfiamos a viola no saco, e não se toca no assunto.
E esta desgraça, que não é pouca e nem é bobagem, avulta, machuca e devasta. O polvo demoníaco tem tentáculos em todo o País, fazendo jovens se perderem e se tornarem monstros e assassinos que fazem correr lágrimas, vergonha, sangue e morte nas famílias. O que ontem eram casos esporádicos e escondidinhos, hoje são milhares de pessoas no mais brutal sofrimento, desespero e decadência.
O reinado das drogas está de vento em popa. E não se vê nenhuma reação positiva, coordenada e decidida a extinguir esta barbárie das terras brasileiras. Os políticos sempre mudam de voz e de pose quando cutucados neste mister.
Se eu fosse ministro do Exército, chamaria os demais ministros militares, o presidente da República e, com, sem ou apesar da Constituição, convocaria todo o povo e os soldados para a guerra total contra todos os que negociam drogas.
Tudo isto por uma simples razão: o nefando inimigo - externo e interno - da pátria é o império da droga. E inimigo mais perigoso, e sacana, jamais foi visto por aqui. Os nazistas de hoje são eles. E este império não cede um milímetro sequer em sua louca e determinada missão de arrancar o dinheiro e a alma dos inocentes e desavisados. E é capaz de arrebentar e incendiar o Brasil.
Loucos somos nós que deixamos este inimigo mortal florescer e criar raízes nos nossos lares. É só lembrarmos do que significou para a humanidade, em quantidade de sofrimento, insegurança e mortandade, a ascensão do nazismo. E de como foi extremamente alto o preço que as nações civilizadas pagaram para se verem livres desta praga apocalíptica.
Mas como não sou ministro do Exército, sinto-me confortado e redimido em publicar estas linhas, objetivando que elas cheguem aos gabinetes adequados e competentes para atiçar os brios daqueles que podem mudar para melhor o destino e a tranquilidade das famílias brasileiras.
Nosso Exército, bem como as outras forças militares, goza do privilégio de merecer confiança de todos nós. Isso, sem dúvida, é o maior trunfo para mantermos a esperança de que a batalha contra as drogas ainda não está perdida. O povo sempre acompanhará a boa liderança nas causas sérias e inadiáveis.
- RENZO SANSONI é médico-oftalmologista em Uberlândia (MG)
([email protected])

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