Um estudo realizado pelo MTP (Movimento Transparência Partidária) vem confirmar um sentimento comum a muitos brasileiros: há pouquíssima renovação de lideranças políticas no País. A organização criada por cientistas políticos, advogados, jornalistas e profissionais liberais constatou que a média de rotatividade entre lideranças partidárias nos últimos dez anos foi de apenas 24%. Ou seja, 75% dos dirigentes nacionais dos partidos em média são os mesmos há pelo menos dez anos. A análise foi feita com base nos dados apresentados pelos 35 partidos brasileiros ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) entre 2007 e 2017. Para os pesquisadores do MTP, o resultado vem ajudar a reforçar a ideia de que os partidos políticos são instituições pouco transparentes e falham justamente em governança democrática. Segundo o estudo, o PP, PCO e PRP tiveram o pior desempenho, com renovação zero tanto na executiva quanto no diretório nacional, já que sequer realizaram eleições internas na última década. PSC, PDT e PSDC também tiveram baixa oxigenação (entre 4% e 5%) nas executivas e, nos diretórios nacionais, lideram o ranking de baixa renovação o PTC, PSDC e PCB. As maiores renovações nas executivas foram registradas por PT (68%), Pros (67%) e PTN (56%). Quanto aos diretórios, PR (62%), PT (59%) e PTN (50%) encabeçam a lista de maior oxigenação. O PMDB também teve alta renovação, com 56% de mudanças na executiva e 49% no diretório, o que se daria em razão do aumento de cargos de comando do partido, que quase dobrou na última década. Já o PSDB teve apenas 31% de renovação na executiva e 29% no diretório, mesmo tendo realizado nove eleições de cúpula, nos últimos dez anos, diz o estudo. O MTP propõe que os dirigentes dos partidos sejam renovados periodicamente. Os recentes escândalos de corrupção envolvendo políticos potencializaram a rejeição aos tradicionais políticos de carreira e podem favorecer os candidatos que fogem do padrão ou que fazem o estilo "gestor" – a eleição de João Doria à Prefeitura de São Paulo é um exemplo. Mas a grande dúvida é se o desejo por mudanças será capaz de mover o País para uma verdadeira renovação na política. Há muita coisa errada, mas mudar por mudar não é a solução. É preciso maturidade, honestidade, competência, ideias novas e o desejo de reconstruir.

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