Tanto o PSDB como o PFL do Paraná estão colocando em execução planos de trabalho para o revigoramento dos partidos e ambos de olho nas eleições municipais do próximo ano, uma importante preliminar da grande disputa que será travada na sucessão de Jaime Lerner, em 2002.
A operação, independente, pode ser batizada por cada partido como bem entender, ou a ‘‘depuração ideológica’’ pregada por Álvaro Dias ou a operação ‘‘pente-fino’’ definida por João Elísio Ferraz de Campos, o novo líder pefelista. Na verdade, PSDB e PFL estão é renovando o cadastro de seus filiados.
Vivendo política em regime integral, o senador Álvaro Dias quer um partido homogêneo em todo o Estado, que o apóie indiscriminadamente naquela que será a sua mais importante tentativa de reconquistar o Palácio Iguaçu. Além da chamada ‘‘depuração’’, vê ele a oportunidade de oferecer condições de comando para vários políticos, principalmente deputados, que podem vir a cerrar fileiras com os tucanos brevemente. Assim, segundo os próprios líderes do PSDB, alguns diretórios serão oportunamente confirmados, outros receberão comissões provisórias com a tarefa de firmar posição em torno da lealdade aos princípios do partido.
Já o PFL vem passando por uma fase difícil, com o entrevero entre Jaime Lerner e Abelardo Lupion, a ascensão por muitos contestada de João Elísio, e agora a promessa de saída das fileiras por parte do mais tarimbado político paranaense, o deputado Aníbal Khury, o antigo guru que estende todo o seu poderio político pelos diferentes partidos, o que lhe garante tranquilamente as condições de influir nas próximas jogadas e na própria sucessão de Lerner. Para se dizer o mínimo, pois não se afasta até a hipótese de Aníbal resolver encerrar sua longa carreira disputando a honrosa posição de governante, governante de fato e de direito.
Pois o PFL, então, resolve-se pela operação ‘‘pente-fino’’. Quer na verdade é o mesmo que o PSDB. Essa operação, conforme o presidente João Elísio, vai mostrar o que os liberais deverão fazer para fortalecer o partido em diretórios municipais.
O mais profissional dos nossos partidos dá início aqui no Estado ao plano mais abrangente de se atingir a presidência da República na sucessão de Fernando Henrique. O Paraná quer dar a sua contribuição, na medida em que se possa fazer muitas prefeituras, centenas de vereadores e, com isso, fortalecer Lerner, um potencial candidato presidencial ou, em não podendo, de qualquer forma apresentar-se como partido em condições de dar no Estado uma demonstração de força capaz de influir na cúpula nacional e disputar uma posição no comando partidário.
Seja através da ‘‘depuração ideológica’’ do PSDB, seja pelo ‘‘pente-fino’’ do PFL, ambos os importantes partidos de sustentação do status quo da República, mostram bem a situação do sistema partidário brasileiro. Há, pelo que se vê, uma permanente necessidade de adequação aos interesses do partido, quando não de seus mais importantes líderes, embora todos juntos preguem uma reformulação que lhes desobrigue de volta-e-meia proceder como os bancos, uma renovação do cadastro dos clientes.
- AYRTON BAPTISTA é jornalista em Curitiba

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