Renovação na política
Terminado o segundo turno das eleições municipais, a hora é de análise. É possível avaliar o resultado das urnas? Ganhou quem fez a melhor campanha ou quem soube melhor interpretar o sentimento dos eleitores? A julgar pelos índices de renovação obtidos nas prefeituras e câmaras espalhadas pelo País, é possível afirmar que os eleitores esperam mais de seus representantes. Levantamento da Confederação Nacional dos Municípios aponta que apenas 55% dos prefeitos foram reeleitos. O índice é o mais baixo obtido desde que foi implantada a reeleição, uma vez que em 2008 o percentual foi de 65,9%; em 2004 e 2000 o número registrado foi de 58,2% nos dois anos.
Já os prefeitos paranaenses tiveram um resultado melhor: 62% conseguiram a reeleição. A Câmara de Vereadores de Londrina obteve renovação de 64%, considerando somente os 19 que foram eleitos em 2008. Outro fator que deve ser avaliado é o alto índice de abstenção e a alta quantidade de votos brancos e nulos. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, a média nacional ficou em 25%; em Londrina, 22%. Na cidade de São Paulo, três em cada dez eleitores não votaram em nenhum candidato. Este resultado pode ser avaliado como uma forma de protesto, de cansaço com a atual política ou com a velha maneira de se fazer política.
Se o julgamento do mensalão não afetou significativamente o desempenho do PT, o mesmo não se pode afirmar no âmbito municipal. Os recentes escândalos de corrupção no último mandato repercutiram fortemente nas urnas.
Por isso, soou tão bem aos ouvidos dos londrinenses o discurso de Alexandre Kireeff (PSD), prefeito eleito de Londrina. Apresentando-se como ''não político'', sem vínculos partidários e sem coligações, caiu nas graças do eleitorado. O mesmo se pode dizer de Fernando Haddad (PT), eleito prefeito de São Paulo. Apadrinhado pelo ex-presidente Lula, o ex-ministro da Educação tinha o perfil exato para ser aceito entre os que rejeitavam José Serra (PSDB) ou os petistas tradicionais. Também representa a ''cara nova'' na política.
Nomes novos acabam soando aos eleitores como renovação. No entanto, o recado das urnas é claro e direto: a renovação deve agora ocorrer na forma de administrar o município e na vinculação partidária.





