‘‘Não há milagres’’, sentencia Carlos Murate, presidente da Cooperativa Agropecuária Integrada do Paraná (Integrada), com sede em Londrina, ao explicar que os ganhos da empresa são resultado do trabalho dos cooperados e dos funcionários. ‘‘Todos compraram a idéia de constituir a cooperativa e se comprometeram em torná-la uma instituição forte com a finalidade de assegurar ganhos tanto em termos de produtividade e qualidade de seus produtos como na rentabilidade do agricultor’’, destaca.
O presidente destaca que, em apenas seis anos de existência, a Integrada teve incremento de 249,25% em sua receita bruta, ao confrontar os R$ 92,38 milhões de 1997 com os R$ 322,64 milhões do último exercício. Com expectativa de aumento de 18,39%, a meta é fechar este ano com movimento de R$ 382 milhões.
Murate lembra que a nova empresa, criada em dezembro de 1995 por um grupo de 28 produtores e que começou a operar com 700 funcionários em março do ano seguinte, nasceu sob o estigma da falência da Cooperativa Agrícola de Cotia, decretada em 1994. Ao lado da decepção, deixou milhares de agricultores associados no Norte do Paraná praticamente na miséria, porque suas economias – incluindo a produção e, em alguns casos, dinheiro depositado na instituição de crédito da cooperativa –, o equivalente a cerca de US$ 10 milhões, foram ‘‘pulverizadas’’ pelo processo de extinção da empresa. Mesmo assim a Integrada foi constituída como instrumento de fortalecimento da atividade agrícola na região, e vem se expandindo além das expectativas dos fundadores. ‘‘Não esperávamos, em tão pouco tempo, chegar ao ponto em que estamos’’, comenta o presidente.
Murate diz que a Integrada ainda está se estruturando. Com isso, os investimentos têm sido planejados com muito critério e de acordo com as necessidades da empresa. ‘‘Lógico que pensamos em projetos que visam agregar valor à matéria-prima, o que virá com o tempo. O importante é estar em sintonia com as necessidades do cooperado, mas sem promessas, para evitar problemas. Por isso, todo o nosso planejamento é feito dentro de nossas possibilidades reais, ou seja, estamos trabalhando com os ‘os pés no chão’, avançando aos poucos, mas sempre’’, frisa.
Mas, como a fruticultura na área de atuação da cooperativa encontra-se em expansão, ele antecipa que se estuda investimentos neste setor, tanto na classificação quanto estocagem das frutas. ‘‘Mas isso ainda é uma idéia’’, avisa. Uma das melhorias que destaca é a ampliação da capacidade estática dos armazéns da regional de Mauá da Serra, de 16,8 mil toneladas para 28,8 mil toneladas, e dos secadores, de 170 toneladas para 250 toneladas por hora, realizada no ano passado ao custo de R$ 1,71 milhão.
De prático, para não ficar refém do mercado e garantir rendimento melhor aos produtores rurais, a Integrada arrendou, em julho do ano passado, uma indústria de subprodutos de milho, em Andirá. Com isso passou a fornecer gritz (produto utilizado na fermentação da cerveja) para a Ambev e Schincariol e canjica para Kellog’s e Pepsico, entre outros clientes. A unidade tem capacidade para processar 12 mil toneladas mensais do cereal com receita bruta de R$ 3,5 milhões.

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