Projetado pelo renomado arquiteto João Batista Vilanova Artigas, o Cine Ouro Verde (nome originário do café, que tanta riqueza trouxe a Londrina) foi inaugurado em 24 de dezembro de 1952, na Rua Maranhão, nº 85, surpreendendo a todos pelas suas sofisticadas e primorosas instalações.

Ao som da inesquecível trilha sonora "Toréador et Andalouse" (do pianista russo Anton Grigorevich Rubinstein, gravado pela Victor Silvester Orchestra), as pessoas se ajeitaram nas 1,5 mil poltronas de couro reclináveis (originalmente importadas, sendo 1,1 mil no auditório e 400 no mezanino), diante do apagar das luzes laterais multicoloridas, culminando com a abertura das cortinas de veludo.

Sem dúvida, um momento mágico, inesquecível para todos, antes de se assistir a memoráveis filmes, como o premiado "A Ponte do Rio Kwai", de 1957.

Em 1978, com a redução da frequência de espectadores (por certo decorrente da televisão), o Cine Ouro Verde foi vendido pelos antigos proprietários de então (Celso Garcia Cid, José Garcia Molina, irmãos Pesarini e outros) para a UEL, pela quantia de 10 milhões de cruzeiros (obtendo metade dos recursos do Ministério da Educação e a outra metade do governo do Paraná). Tal valor havia sido oferecido pelo Banco Itaú pelo imóvel. Por oportuno, tal banco acabou comprando o imóvel do Cinerama (onde construiu a Agência Londrina, na Av. Paraná, 335).

Passou por reformas e inclusão de um palco, resultando no Cine Teatro Universitário Ouro Verde, para 853 espectadores, passando, desde 1980, a sediar o Festival Internacional de Londrina – Filo (originado do Festival Universitário de Londrina de 1968) e o Festival Internacional de Música de Londrina.

Quantas transformações e importantes apresentações nos chegam à mente, como a montagem em 1993 da enorme Esfinge, que tivemos o privilégio de fotografar, para o show da saudosa banda londrinense Chaminé Batom e tantos outros momentos inesquecíveis? O teatro foi declarado patrimônio histórico estadual em 1999, estando em processo de tombamento pela União.

Chegou o domingo fatídico de 12 de fevereiro de 2012. Num período de reformas, inacreditavelmente, decorrente de um curto-circuito, o Ouro Verde foi consumido por um incêndio de proporções gigantescas, para a enorme tristeza de todos que testemunharam sua gloriosa existência.

Desde então, muitos foram os hercúleos trabalhos envolvendo o resgate de bens, trabalho de perícia, discussão e aprovação dos projetos de reconstrução etc. Ao enumerar todos, poderíamos incorrer no risco de esquecer alguns não menos importantes. Todos irmanados em conciliar da melhor forma o projeto original e adequações às normas de segurança e acessibilidade vigentes, com os recursos e tempo disponíveis.

Passados praticamente cinco anos daquela tragédia, numa visita no final de março de 2017, encontramos o Ouro Verde reconstruído com esmero, belíssimo, renascendo das cinzas.

Com 726 poltronas (512 na plateia, 214 no balcão), além de espaço para 12 cadeirantes (segundo informações da construtora), se encontra na fase de providências finais para a tão esperada reestreia, agora como Teatro Ouro Verde.

MÁRIO JORGE DE O. TAVARES é administrador em Londrina

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