Renan Calheiros
Por uma celebração responsável Renan Calheiros Nesta semana tive a oportunidade de pesquisar a origem do Carnaval. É praticamente impossível localizarmos, com precisão, o período do surgimento da festa. Mesmo os historiadores especializados divergem quanto a gênese da maior manifestação da cultura popular brasileira. Uma comemoração que surgiu em terras distantes mas aqui adquiriu sua forma definitiva. O governador da cidade grega de Atenas, Pisistrato, no século VII a.C. oficializou o culto ao deus Dionísio, que encarnava o êxtase e o entusiasmo. Estas festas ocorriam no início da primavera com lavradores e camponeses, em procissão e alguns mascarados, comemorando a colheita em carros abertos acompanhados por música, dança e vinho. Durante o Império Romano, a tradição grega de celebrar boas colheitas foi mantida nas chamadas Saturnálias, uma referência ao deus romano Saturno, identificado com a agricultura. Os festejos de rua durante o Império Romano reproduziam a alegria e expansividade da festa grega. A grande polêmica está na origem da palavra Carnaval. Alguns estudiosos atribuem a carrum navalis, carros navais alegóricos que, como nossos atuais, abriam as festas dedicadas a Dionísio. Outros defendem que a palavra se originou da expressão dominica ad carne levandas (tirar a carne), criada por Gregório I numa referência à Quaresma. Entre os historiadores não há divergências quanto ao Carnaval ter surgido como uma válvula de escape para as classes desfavorecidas, tendo em vista a extrema rigidez de divisão entre as classes sociais de outrora. Trata-se de uma festa para celebrar a alegria, o prazer, o luxo, o canto, a dança e a brincadeira. Mesmo reprimido por um determinado período, o Carnaval é uma festa que o povo impôs e perpetuou para si mesmo, não obstante as tentativas frustradas em condenar a comemoração por considerá-la pecaminosa e permissiva. A Igreja só reconheceu o Carnaval em 1545, durante o Concílio de Trento, não obstante os incentivos dados pelo papa Paulo II anteriormente. Carnavalizar é quebrar a rígida ordem social o pobre tem luxo e é coroado é inverter papéis homens se vestem de mulher e vice-versa é misturar, democratizar e fazer a maior festa brasileira que reúne teatro, dança, folclore e música no maior espetáculo do Planeta. O momento é de extravasar e brincar. No mundo moderno a única faceta negativa do Carnaval é a violência, especialmente, no trânsito. As estatísticas de morte e feridos aumentam sensivelmente durante este período. A maioria das mortes e feridos, durante o Carnaval, é causada pelo excesso de álcool. É necessário prudência. O Carnaval nunca foi uma festa de sacrifícios humanos. Vamos celebrar com responsabilidade. - RENAN CALHEIROS é senador pelo PMDB-AL e ex-ministro da Justiça





