Um novo medicamento está aguçando o imaginário das pessoas que travam uma luta contra a balança. De acordo com as pesquisas, o rimonobanto, cujo nome comercial é Acomplia, diminui a formação e aumenta a queima de gorduras pelo organismo. O endocrinologista Walmir Coutinho falou à FOLHA sobre o remédio que deve entrar no mercado brasileiro entre julho e agosto e tem potencial para tirar muitas pessoas do perfil de risco para doenças cardiovasculares. Muitos já acreditam que ele possa servir como complemento para dietas. Mas Coutinho alerta que não há pílulas mágicas, os remédios apenas auxiliam no tratamento. São fundamentais a reeducação alimentar e a atividade física.

Como funciona o Acomplia?
Ele tem mecanismos de ação central e periférico. Ações no cérebro evitando que a pessoa coma em excesso, porque bloqueia o mecanismo de recompensa. A pessoa que utilizava um alimento com o objetivo de obter recompensa, aquela mania de comer sem ter fome, tende a ficar bloqueada, ela passa a comer menos naturalmente. Ele tem mecanismos de ação periféricos também como ação direta no tecido adiposo, no fígado e em diversos tecidos fora do sistema nervoso central.

E o mecanismo de recompensa?
Essa epidemia de obesidade que vivemos hoje deve-se, em grande parte, ao fato de que muita gente tem consumido alimentos não somente para saciar a fome, mas para obter prazer. Essa mecanismo é ligado por meio de um sistema de recompensa, isso é, um mecânismo químico onde os receptores endocanabinóicos participam ativamente. Esse remédio bloqueia o sistema de recompensa. A pessoa consome o alimento, mas já não obtém a recompensa. Isso inibe o impulso de procurar um alimento gorduroso ou açucarado para obter a ativação desse sistema e, assim, acaba comendo menos.

Quem será mais beneficiado com a utilização desse medicamento?
É recomendado para pessoas obesas, com um nível de excesso de peso que represente riscos para a saúde ou já complicados por outras doenças como, por exemplo, um excesso de peso com diabetes do tipo 2, com alteração do colesterol, uma hipertensão arterial. Não é para ser usado com fins estéticos, pessoas que queiram perder dois, três quilos.

Dentro dessa expectativa que se cria em torno de novos medicamentos, quais os cuidados que se deve ter, principalmente, com medicamentos que fazem promessas milagrosas?
Primeiro grande cuidado é ter a consciência de que nenhum remédio para emagrecer tem efeitos espetaculares, nenhum deles é milagroso, nenhum deles resolve o problema. Os remédios proporcionam uma ajuda na solução do problema e devem ser acompanhados de programas de mudança de hábito. É nessa mudança que se concentra o sucesso do tratamento. Mudar hábitos de alimentação, fazer atividade física continuam sendo o centro de tudo. O medicamento será uma ajuda. O segundo conselho é nunca fazer uso de nenhum medicamento sem prescrição e acompanhamento médico. Só um médico sabe avaliar se a pessoa precisa ou pode usar o remédio. Todos os remédios têm contra-indicações em casos específicos.

Acompanha as pesquisas que estão sendo feitas? Quais os resultados?
Participo de várias dessas pesquisas. Das que estão em andamento não podemos falar em resultados porque são estudos duplo cego. Nem o pesquisador nem o paciente sabem se ele está tomando o remédio ou o placebo. A avaliação é de resultados já publicados. Eles mostram que o medicamento é eficaz na perda e manutenção do peso e que apresenta benefícios metabólicos que são independentes da perda de peso. Melhora a diabetes, a gordura no sangue, diminui o colesterol ruim e aumenta o bom.

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