Tanto o governo da União como o dos estados recomenda austeridade. É que a inflação já mostrou as suas garras (este jornal alertou em setembro, quando houve os primeiros sinais) e isso está visível nas gôndolas dos supermercados e na ação de funcionários substituindo a etiqueta de preços dos produtos. Como o Brasil tem experiência incomum no ramo, e ela nos tempos modernos supera a de qualquer outro país, o consumidor já tem percepção do que está por vir se as medidas corretivas não forem adotadas.
No Paraná o governo, diante do quadro de dificuldades, manifestou o propósito de cortar em 15% as despesas, provavelmente as de custeio, porque em setores básicos, do social especialmente, saúde, educação e segurança a situação é de asfixia. E há uma preocupação adicional, a de que o orçamento, segundo técnicos fazendários, é uma peça de ficção no alvo de R$ 25 bilhões que dificilmente será realizado. É verdade que tudo isso foi moldado num ambiente de euforia ante o pleno emprego dos fatores de produção e uma contagiante febre de consumismo que alcançou classes sociais que sempre estiveram à margem do processo.
Não era o que se praticava na União e estados membros, uma vez que a gastança se justificava nos indicadores macroeconômicos. Austeridade no Brasil é como a ética na política: mais discurso, o quanto mais ornamental possível, do que prática, embora por várias vezes tenhamos vivido situações dramáticas que a indicavam como incontornável.

Os discursos de Dilma Rousseff e de Beto Richa apontaram para a cautela sem dramatizá-la, indicando porém um nível de consciência sensível. Para Dilma a situação é mais delicada porque sucede um presidente reeleito e que sai do governo com mais de 80% de credibilidade, a mais elevada da história do país. Já Beto Richa como oposição assume o comando do Estado, cuja nau mais parecia à deriva, ainda que as peças da informação oficial, a que tanto está condicionada a opinião da maioria, mostrassem um cenário de prosperidade. Desmistificar é preciso e a moratória de 90 dias nos pagamentos, ainda que gasta pelo uso, é não pode ser apenas simbólica. Mais do que isso, tem que mostrar resultados.

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