Religando as Sete Encruzilhadas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de agosto de 1997
Walmor Maccarini 
Se se cumprir a profecia da vidente, Londrina está prestes a restabelecer o ritmo de crescimento dos anos de ouro do café, quando dinheiro dava em árvore, se acendia charuto com nota de mil e havia um milionário em cada esquina. É que estão religando as vertentes das Sete Encruzilhadas, interrompidas décadas atrás por um inadvertido prefeito. É ali, no ponto-zero da Londrina antiga, defronte da velha Prefeitura e para onde convergem os sete caminhos: dois da Alameda Manoel Ribas, as avenidas Paraná (Calçadão) e Celso Garcia Cid e as ruas Souza Naves, Santa Catarina e Minas Gerais. No passado todas essas artérias se interligavam, o progresso fluía através delas. A Avenida Paraná foi o caminho por onde chegaram os pioneiros...
...Até que um dia um certo Ipiranga Pitiguari encheu de obstáculos aquele eixo central e interrompeu o sistema circulatório dos sete raios.
A partir daí Londrina não seria mais a mesma; muita coisa de ruim iria acontecer. Foi o que previu uma célebre vidente, e o alerta ela o fez publicamente, através deste jornal. Lembro-me bem da notícia publicada. Ela disse que Londrina iria entrar em convulsão, pelo bloqueio daquelas sete encruzilhadas.
Crenças ou descrenças à parte, a verdade é que a partir daí tombou a velha Prefeitura, tombou a velha Catedral, deu aquela geada geral que acabou com os cafezais, Londrina deixou de ser a Capital do Café e quem era do ramo ficou perdido vagando sem rumo. Parecia coisa de cadeirudo em noite de duas luas. Sem a igreja, tombaram os sinos e não mais se ouviu o badalar do amanhecer, nem o do meio-dia e nem o da Ave-Maria.
Muitos anos depois voltariam os sinos, mas o problema das Sete Encruzilhadas não havia sido removido. Da vidente não se teve mais notícia, mas o aviso estava dado.
Agora a religação começa a ser estabelecida, na forma de um círculo, que é o símbolo do infinito. A grande roda começará a se mover de novo, possibilitando a quem girar em torno de seu eixo seguir pelos rumos do sul ou do norte, do leste ou do oeste. Ou andar sempre em círculo, se for do agrado...
Vivemos sete meses de uma nova administração municipal, e estamos lendo que a Prefeitura está sem dinheiro, fazendo empréstimo bancário para pagar salários atrasados. É o empreguismo devorando tudo. Mal que sempre vem da administração anterior. E depois que se admite é difícil demitir. No sistema público, como na empresa privada, depois de contrair o vírus da admissão é como doença incurável. Porque, com esta malfadada legislação trabalhista que temos, admitir é adotar um sócio.
Então, se o dinheiro é escasso, será preciso fazer como ensinava o prefeito Milton Menezes (duas vezes eleito): 20% com grana e 80% com vontade política.
O prefeito ora no poder e seus secretários têm, então, que exercitar o talento e a vontade política. (Não se pode afirmar que não o estejam fazendo).
A eliminação de um conflito de tráfego no sistema viário central, como o que agora se opera, é uma obra de baixo custo mas, certamente, de bons resultados.
Basta mentalizar, desejar e realizar! Se o poder público não pode fazer sozinho, que se associe à iniciativa privada, que é sempre mais sábia e sempre corresponde quando as propostas são sérias. Também é preciso baratear o custo da máquina administrativa, terceirizando serviços.
Agora que o prefeito fará Londrina girar de novo em grande velocidade, pelo despacho das Sete Encruzilhadas, é tempo de repensar a cidade. Começando pelo mais fácil e que aporrinha a vida dos cidadãos, que é o caótico sistema viário. Londrina roda sobre automóveis - há 137 mil veículos, dos quais 70 mil sempre circulando -, então este é um grande problema social. Ou o que são problemas sociais senão os que envolvem os cidadãos?!
É na cidade que vivem 90% dos habitantes do município.
A escassez de dinheiro não deve ser desculpa, se um experimentado prefeito de dois mandatos (já falecido) garantiu que 80% das obras se faz com vontade política!


