Nós, que temos mais passado que futuro, sabemos o que esse Brasil já passou. Vivemos uma época em que os salários eram reajustados em 40% ao mês, quando a inflação era de 80%.

Recebíamos os salários, tínhamos que correr aos supermercados porque no outro dia não conseguiríamos comprar a mesma quantidade ou produtos com a mesma qualidade. Não conseguíamos transitar nos corredores dos supermercados, pelo congestionamento dos remarcadores.

Os devedores dos financiamentos imobiliários viviam um inferno. Os saldos devedores e as prestações eram corrigidas pela inflação e os salários não. Uma grande parte da população perdeu seus imóveis por não conseguir pagar as prestações. O saldos devedores nos bancos eram muito maiores que os valores dos imóveis.

Tantos pacotes econômicos, por parte dos governos, até o sequestro das aplicações que tínhamos nos bancos, que foi o ápice das loucuras por parte dos governantes. Até que veio o Plano Real, que começou a colocar ordem na casa. Foram anos para conseguirmos dominar a inflação.

Depois, já no século XXI, assume um governo de esquerda que amedrontou a todos. Mas, graças ao comércio com a China, comodities, conseguimos controlar a dívida externa e até criar uma boa reserva. E, claro, não podemos negar os avanços sociais, diminuindo um pouco as desigualdades.

Mas as dificuldades políticas de governança começaram uma verdadeira compra do Congresso. O que culminou com o Mensalão. Depois, o Petrolão.

Aí vem o impecheament da Dilma e, em seguida, um governo de direita assume, trazendo esperança. Mas não conseguiu se manter no poder. Por falta de habilidade política. Fez um bom governo, mas as suspeitas de ruptura colocaram tudo por terra.

Volta a esquerda com as políticas populistas. Quase não consegue se reeleger. Todavia, o Congresso se renova muito, o que nos dá esperança.

Muitos desmandos do Judiciário e deslizes dos candidatos colocaram incertezas pela frente.

Um estado endividado e ainda um governo reeleito com promessas de aumentar ainda mais.

Nossa esperança é que houve um avanço. Demonstrando um maior equilíbrio entre os Poderes.

Estamos aos poucos evoluindo, somos uma nação jovem, nossa República não chegou aos 150 anos.

Desenvolvimento sustentável não se alcança da noite para o dia.

Novos capítulos virão pela frente, cada um enxergue como quiser.

Mas acredito nesse país.

O Brasil é imenso e muito diverso. O dia que chegarmos ao mínimo de consenso, ninguém segurará esse país.

O Brasil é muito maior que Lula, Bolsonaro e outros. Só precisamos que nossos políticos e a população como um todo se convençam disso.

Jose Cezar Vidotti, economista, Londrina

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