RELAÇÕES FAMILIARES - Aprendendo a educar
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de maio de 2010
Paula Costa Bonini<br>Reportagem Local 
Ser pai e mãe hoje em dia não é tarefa fácil. Motivos de preocupação não faltam. Problemas como violência, drogas, álcool, uso abusivo de novas tecnologias, entre outros, tiram o sono de quem tem filho adolescente. E, em meio a tantos desafios, qual a melhor forma de educar nos dias de hoje? O que fazer para ter o respeito e o carinho dos filhos? Diante das inúmeras dúvidas e das poucas respostas, há pais que cometem sérios erros. Um deles é deixar de impor limites.
''Para suprir a ausência e a falta de afeto, muitos pais compram e fazem tudo o que os filhos querem'', comenta a psicóloga especialista em aconselhamento familiar e pós-graduada em terapia de casal e de família Karla Sueson Sales. Para ela, esse é um comportamento equivocado.
''O adulto da relação é a mãe e o pai. Cabe a eles impor limites'', ressalta Karla, que coordena o Curso de Formação de Pais da Faculdade Teológica Sul Americana (FTSA), em Londrina. Em 90 horas de aula, os participantes têm a chance de ter contato com temas diretamente relacionados à educação de crianças e adolescentes, como o bullying, desenvolvimento da autoestima, uso de álcool e drogas e orientação sexual. ''Muitas vezes a pessoa não tem bagagem para educar'', ressalta Karla.
Por que é tão difícil desempenhar o papel de pai e de mãe hoje em dia?
Muitos casais optam em ter filhos não por quererem cuidar de um ser humano, mas sim por uma realização pessoal e por narcisismo próprio. Ser pai e mãe requer muitas modificações na vida e nem todo mundo está preparado para isso. Muitas pessoas não têm consciência de que ter um filho dá muito trabalho. É um trabalho que tem hora para começar, mas não para acabar. Não é fácil e, se possível, deve acontecer em um momento pensado. É preciso saber que é uma tarefa difícil, mas que a recompensa é muito grande.
Quais os maiores desafios enfrentados pelos pais nos dias de hoje?
Os pais se preocupam muito com as amizades, se os filhos estão se envolvendo em relações sexuais precoces e promíscuas, se estão utilizando substâncias tóxicas. Há muita preocupação na fase da adolescência. Muitos não percebem que a adolescência vai ser um reflexo da infância. Os pais ficam muito preocupados em como será seu filho na adolescência, com que idade vai começar a sair, se vai beber, que horas vai chegar. Essas preocupações são naturais, mas a criança que teve afeto e limites dificilmente vai ser um adolescente carente, que vai precisar se entregar a situações de risco.
Hoje, por questões financeiras os pais precisam sair de casa para trabalhar. Eles se preocupam mais em ter para prover do que em ser. Isso prejudica as famílias. Muitos pais querem suprir as vontades materiais dos filhos e deixam para trás o principal, que é o afeto.
E como dosar afetividade e imposição de limites?
Para suprir a ausência e a falta de afeto, muitos pais compram e fazem tudo o que os filhos querem. Os pais têm que dar o melhor de si e não a melhor festa e o melhor presente. Mas às vezes eles ficam com o filho uma hora por dia e não querem chamar a atenção dele nesse tempo. Hoje em dia o computador e a televisão acabam substituindo um cuidador. E na realidade não substituem ninguém! É importante ressaltar que as tecnologias podem servir para o bem e paral o mal na vida de qualquer pessoa.
Os pais têm medo de deixar o filho chorar. A criança tem todo o direito de fazer a birra que ela quiser, mas o adulto da relação é a mãe ou o pai. Cabe a eles impor o limite sem se esquecer de dar afetividade. O ideal é deixar a criança chorar porque ela tem que se expressar de alguma forma e depois conversar com ela explicando que aquela atitude não é legal. Nos casos de birra, os pais não devem ceder em nenhuma hipótese.
Como lidar com o bullying, que é tão recorrente hoje em dia?
A base começa em casa. É preciso preparar os filhos para não serem causadores nem sofredores do bullying. É importante trabalhar a autoestima e estar junto nos pequenos momentos. Você vai preparar seu filho nas ricas oportunidades em família. Os pais devem fazer o filho se colocar no lugar do outro. Ter tempo para conviver com as crianças é fundamental. Não tem como ser pai e mãe com hora marcada. Às vezes as conversas não acontecem na hora que tinham que acontecer.
O bullying pode trazer sérias consequências para a criança, que pode crescer com problema de autoestima, começar a ser excluída da roda de amizade e não querer participar do convívio social. Quando o problema acontecer pais e professores devem trabalhar em conjunto. Eu não acredito na eficiência somente de um lado. Os pais não podem deixar que a escola resolva o problema.
Serviço:Informações sobre o Curso de Formação para Pais pelo www.ftsa.edu.br e (43) 3371-0200
Muitos deixam para trás o principal, que é o afeto
O computador e a televisão não substituem ninguém


