Levantamento feito por este jornal nos meses de outubro e novembro, cujo resultado foi publicado na edição de ontem, apresenta um quadro chocante: 24 dos 54 deputados estaduais paranaenses admitem que a Assembléia Legislativa serviu nos últimos quatro anos apenas como um braço de apoio para o governo do Estado. Embora o número de parlamentares que acreditam ter cumprido suas missões seja um pouco superior são 30 nesta situação , ainda assim a pesquisa traz resultado desanimador, pois a expectativa do eleitor e de toda a população paranaense é, no mínimo, de dispor de um legislativo estadual senão totalmente independente, mas, pelo menos, com maior número de representantes combativos.
De acordo com o levantamento, entre as principais provas de submissão dos deputados ao governo de Jaime Lerner está o processo de votação do projeto que impedia a venda da Copel, o que deve ser considerado grave, uma vez que admitida por parte dos parlamentares a ocorrência de forte pressão exercida pelo executivo estadual. Outra é a rejeição dos pedidos de informação sobre contratos firmados pelo governo, fato que teria ocorrido sistematicamente.
Estes dois exemplos negativos chegam, infelizmente, a ser suficientes, embora suponha-se a existência de muitos outros. Sabe-se que qualquer governo tem a necessidade de usar do recurso da articulação política para tocar em frente seus projetos, o que inclui negociações. E não se condenaria este tipo de procedimento se os seus diversos elementos não deixassem dúvidas. Bons projetos governamentais, aliás, por terem conteúdos que resultem em ganhos para o Estado, devem ser objetos de negociações saudáveis e éticos para terem não somente suas aprovações garantidas, mas principalmente para que se eliminem tentativas de alguns parlamentares de minarem tais proposições por interesses próprios e negativos para a população.
Mas pressões, como admitem os deputados paranaenses, não devem mais acontecer. A troca de governo em janeiro e a substituição de boa parte dos parlamentares deve servir como um ponto de partida, a partir de onde as relações entre executivo e legislativo ocorram de forma a apresentar vantagens para o Estado e sua população.

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