Reitora eleita quer resgatar confiança nas administrações
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quinta-feira, 15 de abril de 2010
Paula Costa Bonini<br>Reportagem Local 
A professora do Departamento de Comunicação Nádina Aparecida Moreno é a nova reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A chapa dela foi eleita no primeiro turno, com 52% dos votos válidos. Em maio, ela assumirá o cargo em substituição ao atual ocupante do cargo César Caggiano dos Santos, que por sua vez substituiu Wilmar Marçal no início do mês. Os concorrentes Isaías Dichi, Cristiano Simon e Alamir Aquino Corrêa tiveram, respectivamente, 22%, 19% e 5% dos votos. Após o prazo para recursos, o resultado será encaminhado para o Conselho Universitário.
Uma lista de desafios e polêmicas deverá fazer parte da agenda de Nádina Moreno e da vice-reitora eleita Berenice Quinzani Jordão. A necessidade de aumento da capacidade de atendimento do Hospital Universitário, a segurança no campus e a reivindicação por mais vagas na Casa do Estudante são alguns exemplos. Para ela, porém, a tarefa mais importante será ''acalmar as pessoas e fazer com que elas voltem a acreditar nas administrações.
A senhora esperava uma vitória sem já no primeiro turno?
Sim. Nós tínhamos uma boa perspectiva, mas acreditávamos que iríamos para o segundo turno. Não imaginávamos a surpresa que tivemos. Com quatro chapas é muito difícil, pois é preciso conseguir 50% de todos os votos válidos mais um voto. É uma façanha não impossível, mas extremamente difícil.
E a que credita sua vitória?
A história de vida que eu tenho dentro da instituição. Eu estou na universidade há 33 anos. Eu entrei em 1977 como estudante, depois passei no concurso público e fui funcionária durante seis anos. Só depois passei para docente. Minha vida profissional sempre foi na universidade, com dedicação exclusiva. Nessa trajetória já fui chefe de departamento por duas gestões e atualmente sou diretora do Ceca (Centro de Educação, Comunicação e Artes) e estou terminando minha terceira gestão. Essa trajetória fez com que tivesse credibilidade.
Como deve ser a relação da reitoria com a direção do Hospital Universitário (HU)?
Nós não podemos tratar o HU como adversário, nós somos uma unidade. O hospital é um órgão suplementar da universidade. Nós vamos tratar com maior respeito e carinho. O hospital é muito complexo, tendo suas especificidades e complexidades. A gestão que acabou dia 31 de março não creio que tenha tido o HU como parceiro porque o hospital esteve na mídia diversas vezes de forma negativa. Nós podemos resolver todos os nossos problemas internamente, sem precisar primeiro ir para a mídia para depois resolver o problema.
A superlotação crônica dificulta que o HU cumpra uma de suas funções primordiais, que é ser um hospital escola. Como a senhora pretende reduzir o problema da lotação excessiva?
Um mês após a posse também vai mudar toda a diretoria do HU. Devemos ter até o final de maio e começo de junho uma eleição para o hospital. Nós não temos nenhum candidato e falamos para todos os servidores lotados que nós estamos democraticamente aceitando quem a comunidade eleger. Vamos ter que conversar muito com a nova superintendência para ver a questão da lotação. O que ocorre é que o HU acaba atendendo a demanda que outros hospitais não conseguem atender. A questão vai ter que ser conversada com o município e com a Secretaria de Estado da Saúde para que a gente veja a possibilidade de aumentar o espaço físico do HU, com contratações de novos médicos para atender a demanda.
A atual direção da UEL investiu em segurança com a instalação de câmeras e a polêmica construção do muro. Quais são os seus projetos para reduzir as ocorrências e aumentar a tranqulidade no campus?
A primeira ação seria sensibilizar o governo do Estado para a contratação de pelo menos mais 70 seguranças. A outra ação é oferecer treinamentos ao nossos seguranças. Também precisamos ampliar a iluminação, ter mais motos para trafegar pela universidade e melhorar as câmeras.
Uma das maiores reivindicações dos alunos é de mais vagas na Casa do Estudante. É possível ampliar a capacidade do prédio no campus?
No campus não é possível. Nossa proposta é criar uma política institucional que passe não só pela moradia, mas pela permanência do aluno. Às vezes ele tem onde morar, mas não consegue se manter. Precisamos ver (a possibilidade de) aumento de algumas bolsas. A universidade está com o processo de seleção aberto. Se tiver muito mais pessoas além das 84 vagas, nós teremos que pensar na possibilidade de alugar alguns imóveis até ter recursos para, de repente, construir uma nova Casa do Estudante.
E qual será o maior desafio à frente da administração da UEL?
O maior desafio atualmente é acalmar as pessoas e fazer com que elas voltem a acreditar nas administrações. Há muita descrença nos gestores e uma apatia muito grande.
Um dos objetivos é sensibilizar o governo para contratar 70 seguranças
Proposta é criar política institucional que passe não só pela moradia


